Nova perícia muda causa da morte de procurador argentino

Procurador argentino Alberto Nisman em coletiva de imprensa em 14 de janeiro de 2015 em Buenos Aires

Um relatório da Polícia Militar argentina que, dois anos e meio depois da morte do procurador Alberto Nisman, concluiu que ele foi assassinado, em contraposição a uma perícia anterior, acrescentando mais incerteza a um complicado caso judicial.

A perícia da PM argentina foi entregue na sexta-feira ao procurador federal Eduardo Taiano, encarregado do caso pela morte de Nisman, morto em 2015 quando investigava o atentado ao centro judeu AMIA, que deixou 85 mortos e 300 feridos em 1994.

A nova perícia, assinada por 28 especialistas, aponta que Nisman teria sido drogado com cetamina -que apareceu em estado puro não metabolizado- e golpeado no nariz, no fígado e nas pernas antes de ser assassinado no banheiro de sua casa, como noticiaram neste sábado os jornais La Nación e Clarín.

A família defende a hipótese de homicídio, enquanto a justiça investiga o caso como "morte duvidosa", mas admitiu a possibilidade de assassinato ao passar o caso do foro penal ao federal em setembro de 2016.

A perícia da PM se contrapõe a que havia sido feita pelo prestigiado Instituto Médico Legal, subordinado, na Argentina, à Corte Suprema de Justiça. Para o IML não havia indícios de homicídio nem da presença de outra pessoa na cena do crime, inclinando-se por um suicidio.

O IML é "consistente e muito bem fundado", disse neste sábado à rádio 10 a titular da Câmara Penal, María Laura Garrigós de Rébori.

Nisman foi encontrado morto no banheiro de seu apartamento com um tiro na cabeça em 18 de janeiro de 2015.

Junto a seu corpo havia uma pistola Barsa 22, de onde saiu a bala e que o procurador tinha pedido emprestada a um colaborador, Diego Lagomarsino, que até agora só foi processado por ter emprestado a arma.

No dia seguinte ao de sua morte, Nisman explicaria no Congreso sua denúncia contra a então presidente Cristina Kirchner (2007-2015), a quem acusou de tentar acobertar iranianos acusados pelo atentado à AMIA, em troca de acordos comerciais.