Nova primeira-ministra britânica se posiciona sobre crise energética

A nova primeira-ministra do Reino Unido, Liz Truss, entrou em conflito com o líder da oposição nesta quarta-feira (7) sobre como ajudar os britânicos com suas exorbitantes contas de energia, em um primeiro confronto parlamentar onde também reabriu a frente pós-Brexit com a União Europeia.

"Entendo que as pessoas em todo o país estão sofrendo com o custo de vida e com as contas de energia e por isso (...) tomarei medidas imediatas", disse na Câmara dos Comuns, confirmando que anunciará medidas na quinta-feira no Parlamento.

Nomeada na segunda-feira como a nova líder do Partido Conservador para substituir Boris Johnson, e empossada chefe de Governo na terça-feira pela rainha Elizabeth II, Truss, até agora ministra das Relações Exteriores, nomeou um governo composto por figuras ultraliberais.

Seu novo ministro das Finanças, Kwasi Kwarteng, está finalizando um plano de ajuda que, segundo a imprensa, incluiria o congelamento dos preços da energia.

As famílias britânicas sofreram em abril um aumento de quase 55% nas tarifas de gás e eletricidade.

E em outubro deve aumentar em 80%, deixando muitos sem condições de pagar.

Muitas empresas e instituições, incluindo hospitais e escolas, alertaram que teriam que fazer cortes dramáticos ou até fechar, já que os custos crescentes ameaçam um outono de protestos e greves.

Truss se recusou nesta quarta-feira a responder a repetidas perguntas de deputados da oposição sobre como financiará essas medidas, sob o risco de elevar a dívida pública recorde após os anos da pandemia.

"A primeira-ministra sabe que não tem escolha a não ser apoiar um congelamento dos preços da energia", lançou o líder da oposição trabalhista Keir Starmer.

"A decisão política é quem vai pagar por isso", acrescentou, dizendo que, de acordo com o Tesouro, as empresas de energia registrarão um lucro extra de 170 bilhões de libras (US$ 194 bilhões) nos próximos dois anos com os preços mais altos.

- Pós-Brexit -

Durante as seis semanas de campanha para 172.000 membros do Partido Conservador, os únicos em um país de 67 milhões de habitantes que tiveram voz na sucessão de Johnson, Truss defendeu políticas ultraliberais.

Assim, apoiou a redução maciça de impostos, apesar das advertências de que isso poderia acelerar ainda mais a inflação - já acima de 10% e que deve chegar a 14% até o final do ano e 18% em 2023.

Em sua primeira sessão parlamentar, a primeira-ministra deixou claro que é "contra impostos excepcionais" sobre as empresas de energia, o que "desencorajaria os investimentos no Reino Unido precisamente quando precisamos fazer a economia crescer".

Além de algumas ajudas sociais, prometeu "aumentar a oferta de energia a longo prazo", com aumento da extração de hidrocarbonetos no Mar do Norte, apesar da crise climática, e a construção de centrais nucleares.

Também teve a oportunidade de mostrar suas habilidades de falar em público e testar o nível de apoio de seus parlamentares, muitos dos quais preferiam seu adversário Rishi Sunak.

Reabrindo o conflito com a União Europeia, também se declarou determinada a "resolver" a difícil situação que surgiu após o Brexit na região britânica da Irlanda do Norte.

"Prefiro uma solução negociada", disse, mas insistiu que Bruxelas deveria aceitar as mudanças unilaterais no protocolo pós-Brexit que Londres está se preparando para legislar.

A UE já o denunciou como violação de um tratado internacional e ameaçou uma guerra comercial de retaliação.

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