Nova safra do skate: conheça Virgínia, de 15 anos, amiga de Rayssa Leal que sonha com vaga em Paris-2024

  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.
·4 min de leitura
Neste artigo:
  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.
  • Rayssa Leal
    Skatista e atleta brasileira mais jovem a conquistar uma medalha nas Olimpíadas

Rayssa Leal, medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Tóquio, tem espaço cativo entre o público do skate. Mas a atleta, que nasceu em Imperatriz, no Maranhão, e exibiu simpatia ao mundo inteiro, não é a única desta geração que desponta no cenário internacional. Virgínia Fortes Águas, amiga de Rayssa, inicia hoje ciclo olímpico em busca de vaga para Paris-2024. Reserva da seleção no ano passado, ela não foi ao Japão e priorizou a disputa de torneios na Europa. Deu tão certo, que está de malas prontas para morar entre Portugal e os Estados Unidos.

— Foi importante ter passado sete meses fora, competindo e aprendendo novas manobras. Por isso quero repetir. Sentirei falta dos meus irmãos, mas quero ir para a Olimpíada — disse Virgínia, natural de Niterói (RJ), campeã portuguesa de street em dezembro, com quatro vitórias em cinco etapas da Liga Pro Skate, além de ter vencido eventos tradicionais em Marisquinho, em Vico, na Espanha, e Urban World Series, em Barcelona e Madri.

Virgínia, nona colocada no ranking mundial, ficou fora da Olimpíada de Tóquio por causa do limite de três competidoras por país. Por isso resolveu trilhar caminho diferente das compatriotas, expoentes do esporte, e se mudou para Portugal. Foi com o pai Virgílio e se hospedou na casa de um amigo, cuja filha também anda de skate.

Sua mãe, Rachel, que é professora, ficou no Brasil com os outros cinco filhos: Aurora, de 4 anos, Ravi, 9, Miguel, 12, Manuela, 17, e Raphaela, 22, esta última fruto do primeiro casamento dela. Virgínia tem ainda Yasmin, 28, e Stefany, 32, como irmãs por parte de pai.

— Minha mulher quase me matou. É muito guerreira — fala Virgílio, que aposentou o carrinho de caldo de cana e pastel para acompanhar a filha. — Estamos vivendo o sonho dela. As meninas desta geração, que hoje têm entre 14 e 15 anos, começaram a andar de skate juntas, cresceram juntas e agora o skate é um esporte competitivo.

A mudança deste ano, porém, será para a família toda. Eles ficarão em Lisboa, em Portugal, e Virgínia se dividirá entre a Europa e os Estados Unidos, onde tem “as melhores pistas”.

— Só deu certo no ano passado porque aqui é esquema militar (risos), como aprendi com meus avôs. Sou brava mesmo — brinca Rachel. — O segredo é um cuidar um do outro, um time que se ama.

A viagem está prevista para março. E, segundo Rachel, é possível que Virgínia passe um período na casa de Kelvin Hoefler, de 28 anos, hexacampeão mundial, prata em Tóquio-2020 e que no início da carreira se mudou para Los Angeles e morou numa cozinha alugada. Hoje ele é casado com Ana Paula Negrão, dona da tal cozinha.

Rachel conta que sua filha já passou cerca de dois meses na casa de Kelvin no ano passado. E que ele hospeda atletas do Brasil para ajudá-los.

STU em Criciúma

— Rayssa, Isabelly Ávila e a Virgínia, a turminha inseparável, já ficaram com ele. A casa tem até cozinha separada para que os hóspedes possam ter privacidade. Não cobra nada porque quer ajudar.

Antes do embarque, Virgínia iniciará a temporada de 2022 no Brasil, em Criciúma (SC). Disputa a partir de hoje a primeira etapa do STU National, válido pelo circuito nacional. Vários atletas olímpicos estão confirmados, como Rayssa, Pedro Barros, Pâmela Rosa, Luizinho, Isadora Pacheco, Yndiara Asp, Dora Varella e Pedro Quintas. Além de Lucas Rabelo, vice-campeão mundial no Super Crown de Jacksonville, nos EUA, e ouro nos Jogos Pan-Americanos Júnior de Cali.

Outros promissores talentos estarão na competição como Giovana Dias, Eduardo Neves, Raicca Ventura e Kalani Konig, campeões brasileiros amadores em 2021. E ainda João Lucas Alves, atual tricampeão brasileiro, e Gui Khury, de 13 anos, o mais jovem skatista a levar o ouro nos X Games ao completar a manobra 1.080 no vertical.

Ao contrário da “velha guarda” do skate, que prioriza o life style em detrimento à competição, Virgínia tem pegada de atleta. Tal qual Rayssa dedica-se aos treinos e estuda essencialmente online. Não à toa, têm o mesmo perfil: compete “arrumadinha”, invariavelmente com cropped e calça. Virgínia gosta de andar de park e diz que tem estilo “leve e solto”.

— Às vezes me pergunto o que está acontecendo, como o skate explodiu — suspira Virgínia, que começou no skate cedo, aos 4 anos.

O pai, ex- surfista, apresentou o skate para ajudá-la nas manobras na prancha. Queria que a filha pegasse onda. A menina treinava no skate para depois encarar a água.

— Queria mesmo que ela aprendesse a entrar rápido de pé na prancha de surfe. Mas não era fácil ir para a praia todo santo dia, com um monte de filho. Daí, ela chutou o balde do surfe — lembra Virgílio.

Apesar do estilo “skate competição”, pai e filha falam com saudade e carinho da época em que “essa turminha apenas se divertia junto”.

Assim como os irmãos, Virgínia praticava várias modalidades no Complexo Esportivo de Caio Martins, em Niterói, onde o pai trabalhava em uma lanchonete própria. A caminho de casa, ele a deixava na pista de skate.

— Só em 2016, em São Bernardo do Campo, é que esse grupinho entrou na primeira seleção brasileira. Não existia essa visão de skate competição. Vendi muita rifa, pastel e caldo de cana, para ela viajar. E quer saber? Faríamos tudo de novo.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos