Nova Tamoios dobra a velocidade na serra, mas só em março de 2022

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**ARQUIVO** PARAIBUNA, SP, BRASIL, 27-12-2011: Trânsito lento em todo o trecho de subida de serra, na rodovia dos Tamoios em Paraibuna (SP). (Foto: Fabio Braga/Folhapress)
**ARQUIVO** PARAIBUNA, SP, BRASIL, 27-12-2011: Trânsito lento em todo o trecho de subida de serra, na rodovia dos Tamoios em Paraibuna (SP). (Foto: Fabio Braga/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O motorista que volta do litoral norte de São Paulo ficará menos tempo no trecho de serra da rodovia dos Tamoios. Mas isso só deverá acontecer a partir de março, quando a nova pista será entregue, dobrando a velocidade máxima dos atuais 40 km/h para 80 km/h. Para os próximos dias, a previsão ainda é de muita paciência para encarar o tradicional "anda e para" de todo Natal e Ano-Novo.

A expectativa é de que o novo trecho dedicado exclusivamente à subida, de 22 km, seja percorrido em 16 minutos. Atualmente, são cerca de 13 km de serra em pista simples (do km 81 ao 68), que, com a estrada livre e na velocidade máxima permitida, levam aproximadamente 20 minutos para serem transpostos -o problema é que hoje dificilmente se atinge 40 km/h na subida, com pista tão sinuosa e que favorece os acidentes.

A nova da subida da Tamoios conta com 12 km de túneis, que devem tornar mais suave a viagem, sem tantas curvas. Segundo a Artesp (Agência de Transportes do Estado de São Paulo), estão todos praticamente terminados.

Um desses túneis é considerado o maior do Brasil, com cerca de 5,5 km de extensão. Para escavá-lo, foi necessário remover 1,7 milhão de metros cúbicos de rocha (o equivalente a 680 piscinas olímpicas) do meio da serra. O motorista que vai dirigir pela Tamoios a partir de março não terá dificuldade em identificá-lo. Ele começa pouco depois do km 76 e termina ainda antes do km 70, com três faixas.

O secretário estadual de Logística e Transportes, João Octaviano Machado Neto, diz que, além dos túneis, a nova pista está finalmente próxima de ser concluída como um todo. "É finalização de obra. É implantação de sistemas, correção de pavimento, sinalização, iluminação. São detalhes finais", afirma.

Cerca de R$ 3 bilhões foram investidos na duplicação da rodovia na serra, prometida inicialmente para 2020. Após a entrega da subida, o atual trecho será usado apenas para a descida, com duas faixas e acostamento.

Mesmo depois da nova pista, o motorista ainda deve enfrentar congestionamentos. O motivo é que o contorno de Caraguatatuba, fundamental para evitar que os veículos sejam despejados no perímetro urbano, represando o tráfego na serra ou no acesso a ela, causando lentidão, ficará pronto somente em novembro de 2023, segundo as previsões otimistas do governo de João Doria (PSDB). As obras do contorno foram retomadas recentemente, já em 2021, depois de três anos paradas.

Serão 33,9 km que servirão para escoar o tráfego em direção a Ubatuba e também a São Sebastião. Serão gastos mais R$ 1,5 bilhão, após acordo firmado entre o governo estadual e a Concessionária Tamoios, que será responsável por executar o projeto.

Porta-voz da Polícia Rodoviária Estadual na região, o tenente James Godoi afirma que a nova subida será muito importante para a segurança dos motoristas. "Hoje é uma pista simples, que permite a colisão frontal. [O novo trecho] vai evitar muitas mortes, ferimentos", afirma.

Para a concessionária, a entrega do novo trecho de serra trará uma melhoria operacional. H, chega-se a alternar a operação subida e descida até três vezes num único dia.

Hoje, diferentemente do que acontece no sistema Anchieta-Imigrantes, por exemplo, não basta "apenas" mudar o sentido de direção de uma das pistas de determinada rodovia. É necessário fazer a divisão na serra com balizadores, fornecendo a segunda de três faixas para o maior fluxo de motoristas naquele determinado momento. Com o novo trecho de serra, cada sentido de direção já terá suas duas faixas e acostamento.

Gerente de operações da Concessionária Tamoios, Wigando Schneider afirma que isso será muito importante porque, principalmente neste período do ano, a rodovia recebe um grande volume de motoristas trafegando tanto em direção ao Vale do Paraíba (e acesso à capital paulista) quanto rumo ao litoral, estrangulando a atual capacidade da estrada. "Essa época é muito ilógica. É administrar o caos."

Apesar do prognóstico positivo em relação à operação a partir de março, Schneider é mais um que vê como fundamental a entrega do contorno para acabar com o "funil" que se cria no perímetro urbano de Caraguatatuba. Segundo ele, a Tamoios acaba muitas vezes sendo culpada por uma lentidão que não é causada por ela, mas pela dificuldade de acesso ou de escoamento do tráfego da estrada.

Março ainda não chegou e as obras do contorno estarão prontas, se tudo der certo, só daqui a dois anos. Resta como consolo ao motorista que pretende seguir em direção ao litoral norte a informação de que a construção do trecho de subida não deve tornar ainda mais caótico o que já não é fácil.

Segundo o secretário estadual de Logística e Transporte, embora em andamento mesmo durante os feriados, as obras da nova pista da Tamoios não devem causar impacto no tráfego durante o fim de ano. "É do jeito que está hoje, funcionando normalmente. A obra não interferiu de forma impactante na serra", explica Machado Neto.

Schneider também não espera interferências provocadas pelas obras. Mas estima o habitual aumento de 30% a 40% no volume de veículos, como ocorre normalmente em finais de ano. Nesses casos, o tempo de viagem entre a rodovia Carvalho Pinto e Caraguatatuba, em média de 1 hora e 28 minutos em dias comuns, torna-se imprevisível. "Tem intempérie, fluxo acentuado, é impossível calcular", diz.

Para o motorista que pretende dirigir para o litoral em meio a esse "caos", às vésperas do Natal e do Réveillon, o gerente de operações da concessionária dá uma dica: viajar entre meia-noite e 6h. "A Tamoios é totalmente iluminada, uma avenida. Se trafega com a família, o tempo é mais fresco nesse horário, não se sofre com o calor", explica Schneider.

Já porta-voz da Polícia Rodoviária Estadual na região afirma que embora a continuidade das obras não seja vista como um complicador, o trânsito neste fim de ano deverá seguir o padrão pré-pandemia, com muito congestionamento para quem pretende chegar às praias.

A expectativa da Polícia Rodoviária é que nos dias 23 e 30, as duas próximas quintas-feiras, o tráfego seja intenso já das 16h às 23h, assim que as pessoas forem dispensadas do trabalho. Nas vésperas de Natal e Ano Novo, os engarrafamentos devem seguir ao longo de todo o dia.

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