Nova versão de projeto de socorro a estados vai permitir adiamento de dívidas internacionais

Isabella Macedo
Alcolumbre preside sessão do Senado por teleconferência
Alcolumbre preside sessão do Senado por teleconferência

BRASÍLIA - Em negociação com o governo para acertar os novos termos do projeto que vai socorrer estados e municípios durante a crise do novo coronavírus, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), anunciou que os estados poderão adiar o pagamento de dívidas com organismos internacionais. Segundo o senador, o governo aceitou a sugestão apresentada pelo Senado.

- O texto principal trazia apenas a possibilidade de suspensão das dívidas com as instituições públicas brasileiras, o BNDES, a Caixa Econômica e o Banco do Brasil. A gente conseguiu, com a nossa argumentação, com o nosso diálogo estender a todos os organismos internacionais. E isso vai, sem dúvida nenhuma, se espraiar para vários estados e municípios brasileiros que têm essa linha de financiamento com organismos internacionais e que serão contemplados, com esse diálogo e com esse aprimoramento do projeto - afirmou no início desta noite.

O novo texto é relatado pelo próprio Alcolumbre, que apresentará sua versão na quinta-feira. O senador tem se reunido com a equipe econômica do governo frequentemente para negociar os ajustes no projeto aprovado pela Câmara. Como foi aprovado pelos deputados, o projeto desagrada a pasta por ser vista pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, como um "cheque em branco" para governadores. A previsão de Alcolumbre é que o seja votado no sábado à tarde e esteja pronto para votação no Senado na segunda-feira.

Segundo o presidente da Casa, a sugestão não partiu da equipe econômica, mas foi acatada pelo governo, que permitirá que os estados suspendam o pagamento desse tipo de dívida para aliviar as contas dos estados.

- A gente apresentou como uma alternativa ao texto do governo e iremos incorporar. E o governo sinalizou que vai aceitar, como um gesto também com o Senado Federal e com o Brasil. Então, só essa ampliação de bancos públicos para organismos internacionais, vai também aliviar o caixa de muitos estados com esses organismos internacionais. Esses estados terão o aval da União para o adiamento do pagamento da dívida - disse Alcolumbre.

Ontem, Alcolumbre se reuniu com Guedes e acertaram a inclusão de uma contrapartida para auxílio aos estados e municípios. Os servidores municipais, estaduais e federais terão salários congelados por 18 meses. Segundo o presidente da Casa, a estimativa passada pelo Ministério da Economia é de que sejam poupados R$ 130 bilhões durante o período.