Nova York cobre o rosto para se proteger de coronavírus

Por Laura BONILLA
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Pessoa improvisa máscara de proteção na região do Brooklyn

Com bandanas camufladas e máscaras cirúrgicas ou artesanais, os nova-iorquinos , no olho do furacão do novo coronavírus nos Estados Unidos, tentam se adaptar às novas recomendações de autoridades. Tudo serve para se proteger, e alguns até sugerem um sutiã cortado ao meio.

Mitch Cassel, oftamologista de 64 anos que trabalha no Rockefeller Center, vestiu uma máscara nesta sexta-feira pela primeira vez, para ir ao banco e comprar comida. "A saúde é riqueza agora", comentou, na fila de um mercado.

Cassel segue as recomendações mais recentes do prefeito da cidade, que já registra quase 53 mil casos e 1.584 mortos pelo vírus, mas disse que não entende por que o uso de máscaras e o confinamento ainda não são medidas nacionais.

No começo da pandemia, autoridades informaram que o uso de máscaras por quem não estava infectado ou em contato com pessoas infectadas não era necessário. Devido à falta delas, havia o temor de que não sobrassem máscaras para as equipes médicas.

No momento em que o país bateu o recorde de mortes diárias, de 1.169, o presidente Donald Trump anunciou que considera declarar obrigatório o uso de máscaras, para impedir que pessoas infectadas não contagiem as demais. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, governamental) irá divulgar recomendações nos próximos dias, indicou o vice-presidente americano, Mike Pence.

O presidente americano, Donald Trump, aconselhou nesta sexta-feira que todos os americanos usem máscaras ao saírem às ruas para conter a disseminação do novo coronavírus.

Trump disse durante coletiva de imprensa na Casa Branca que os CDC encorajaram as pessoas a usar qualquer cobertura facial, como echarpes, com esta finalidade e manter as máscaras cirúrgicas livres para os profissionais de saúde.

"Vai ser realmente uma coisa voluntária", ressaltou. "Vocês não precisam fazê-lo e eu estou escolhendo não fazê-lo, mas algumas pessoas podem querer fazê-lo e tudo ok".

- 'Tudo o que pudermos' -

A fotógrafa Jade Albert, 60, passeava hoje com seu cão no bairro Upper West Side usando uma máscara cinza com válvula para respirar, semelhante à usada pela atriz e empresária Gwyneth Paltrow. Ela a comprou no fim de fevereiro, antes da confirmação do primeiro caso do novo coronavírus em Nova York.

"É muito confortável, bem mais do que as demais", comenta Jade. Ela concorda com o prefeito Bill de Blasio, que diz que todos devem cobrir o rosto ao sair de casa. "Temos que fazer tudo o que pudermos", assinala a fotógrafa.

"Se quiserem usar cachecóis, podem. Em muitos casos, eles são melhores, são mais grossos", disse Trump. "Peguem um cachecol ou uma bandana, qualquer coisa que tiverem em casa, e cubram o rosto se forem estar em contato próximo com pessoas que não são da sua família", insistiu hoje De Blasio, em entrevista à rede de TV CNN.

- Entregue a Deus -

Mas nem todos usam máscaras, entre eles o entregador de comida mexicano Vicente, 39. "Confio em Deus, em que tudo ficará bem. A máscara me sufoca, não consigo respirar", alegou o funcionário da empresa Relay. "Estou tomando um comprimido para prevenir o vírus, mas não posso dizer qual."

Muitos americanos estão fabricando as próprias máscaras de tecido, como em outras partes do mundo. O jornal "New York Times" publicou ontem um tutorial explicando como produzir uma máscara sem máquina de costura. Alguns leitores chegaram a recomendar um sutiã cortado ao meio.

A nova-iorquina Stacey Lewis contou que uma amiga que perdeu o emprego na indústria da moda está fabricando máscaras para todo o prédio em que mora: "Tem uma enfermeira no prédio, então estamos dando as máscaras que compramos para ela e usamos as que a minha amiga faz."

O farmacêutico nova-iorquino Fazal Rehman, do Upper East Side, afirmou que "pessoas estão armazenando máscaras" para revendê-las a um preço mais alto. Na próxima semana, ele espera receber 300 novas máscaras, ao custo de dois dólares cada, e distribuí-las gratuitamente. "Somos a maior potência mundial. Como não estamos preparados para isto?"