Nova York detecta 1º caso de poliomielite em dez anos: por que o vírus está se espalhando tão rápido

Nova York registrou o primeiro caso de poliomielite em quase uma década. O paciente foi identificado como um homem adulto não vacinado residente do condado de Rockland. O departamento de saúde de Nova York afirmou que a transmissão ocorreu por alguém que recebeu a vacina oral contra a doença, que não é administrada nos EUA desde 2000.

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Segundo as autoridades, o homem não é mais contagioso. “Nossos esforços agora estão focados em duas questões: vacinas e descobrir se mais alguém foi afetado por esta doença”, disse Ed Day, executivo do condado de Rockland.

O departamento de saúde disse ainda que aqueles que não se vacinaram, ou não completaram o círculo vacinal contra a poliomielite devem se vacinar. O caso atual apresenta um risco muito baixo para aqueles que já estão vacinados.

Apesar de não terem divulgado o estado de saúde do paciente, sabe-se que é um homem da comunidade judaica ortodoxa, que começou a apresentar os primeiros sintomas há cerca de um mês. “Ele teve muita fraqueza e paralisia”, revelou Patricia Schnabel Ruppert, médica no departamento de saúde de Rockland.

As autoridades agora estão observando e entrando em contato com a família e pessoas próximas que o homem poderia ter tido contato para avaliar o risco para a comunidade local.

Poliomielite

A poliomielite é uma doença que foi considerada eliminada na região das Américas e em outras partes do mundo. Entretanto, não foi erradicada do mundo, pois o vírus silvestre continua a circular em países como Afeganistão e Paquistão.

Entretanto, o risco de retorno da doença em diversos países nunca foi tão grande. Além desse caso registrado nos EUA, Israel apresentou uma série de infecções no início do ano e o vírus foi encointrado no Reino Unido pela primeira vez em quarenta anos. Também houve um surto da doença no Malawi, na África, após a infecção de uma criança de 3 anos pelo polivírus selvagem tipo 1. No Brasil, especialistas e autoridades de saúde, incluindo a Fiocruz, não param de alertar sobre o risco de retorno da doença.

O risco eminente é decorrente das baixas taxas de vacinação. O Brasil não cumpre, desde 2015, a meta de imunizar 95% do público-alvo, patamar necessário para que a população seja considerada protegida contra a doença. Segundo informações do Sistema de Informações do Programa Nacional de Imunizações (SI-PNI), a cobertura vacinal com as três doses iniciais da vacina está muito baixa: 67% em 2021. A cobertura das doses de reforço (a de gotinha) é ainda menor, e apenas 52% das crianças foram imunizadas. Nas regiões Nordeste e Norte, a situação é ainda pior, com percentuais de 42% e 44%, respectivamente, para a imunização completa com as cinco doses.

O cenário se repete no mundo todo. Um relatório recente da Organização Mundial da Saúde (OMS) em conjunto com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) escancara o maior retrocesso nas taxas de vacinação infantil nos últimos 30 anos. Para as instituições, o declínio é associado a fatores como o aumento da desinformação no contexto da pandemia da Covid-19, os desafios logísticos pela emergência sanitária e o número crescente de crianças que vivem em áreas de conflito e vulnerabilidade.

Poliomielite nos EUA

O último caso registrado de poliomielite nos Estados Unidos foi em 2013. O paciente foi infectado com o vírus no exterior. Não há um caso originário da doença no país desde 1979, de acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças.

A doença era uma das mais temidas nos Estados Unidos até a década de 1950, quando foi desenvolvida a primeira vacina. Ela foi responsável por surtos anuais que causaram milhares de casos de paralisia em crianças.

As vacinas tornaram-se disponíveis a partir de 1955 e a campanha nacional de vacinação reduziu o número anual de casos para menos de 100 nos anos 60 e menos de 10 nos anos 70, de acordo com o Centro de Controle de Doenças (CDC, na sigla em inglês). Em 1979, a poliomielite foi declarada extinta nos EUA.

De acordo com os dados mais recentes do CDC sobre vacinação infantil, cerca de 93% das crianças de dois anos de idade tinham recebido pelo menos três doses de vacina contra a poliomielite, que se propaga essencialmente de pessoa para pessoa ou através de água contaminada. Pode infetar a medula espinal de uma pessoa, causando paralisia, incapacidade permanente e até morte. Os sintomas podem incluir: fadiga, febre, dor de cabeça, dores musculares e vômitos.

No condado de Rockland, onde o caso foi registrado, cerca de 60% das crianças de até 2 anos já receberam as três doses do imunizante, entretanto, o número é abaixo dos 80%, taxa para alcançar a imunidade de rebanho para a doença segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

A vacina oral é segura e eficaz e ainda é administrada em países onde o acesso à vacina é mais limitado. No entanto, as pessoas que recebem a vacina oral, que contém uma versão enfraquecida do vírus, podem transmitir o vírus, como foi o caso do primeiro homem americano em 10 anos.

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