Novas mensagens de Bolsonaro a Moro reforçam versão de interferência na PF

***Arquivo***BRASÍLIA, DF, 03.10.2019 - O presidente Jair Bolsonaro com o ministro da Justiça, Sergio Moro, em cerimônia de lançamento da campanha de divulgação do projeto anticrime, elaborado por Moro, no Palácio do Planalto, em Brasília (DF). (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Novas mensagens de Jair Bolsonaro (sem partido) ao ex-ministro Sergio Moro (Justiça) reforçam a versão do ex-juiz de que o presidente tentou intervir na Polícia Federal trocando o ex-diretor-geral Maurício Valeixo.

Uma cobrança de troca do comando da PF ocorreu poucas horas antes da reunião ministerial do dia 22 de abril.

Em texto enviado às 6h26 daquela quarta-feira, Bolsonaro escreveu: "Moro, Valeixo sai esta semana", afirmou. "Está decidido".

A seguir, enviou: "Você pode dizer apenas a forma. A pedido ou ex oficio [sic]."

As mensagens foram divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmadas pela reportagem.

Moro respondeu 11 minutos depois e pediu para conversar pessoalmente com Bolsonaro sobre o assunto. "Estou a disposição para tanto", escreveu.

As mensagens constam do inquérito no STF (Supremo Tribunal Federal) que apura as acusações de Moro, que deixou o governo acusando o chefe de tentar interferir politicamente na Polícia Federal.

Valeixo foi exonerado no dia 24 de abril, um dia depois de o presidente avisar Moro que havia decidido trocá-lo, o que levou à demissão do ex-juiz do Ministério da Justiça.

Na manhã do dia 23, o presidente já havia enviado uma mensagem a Moro falando da troca de Valeixo. Bolsonaro lhe enviou uma matéria do site O Antagonista intitulada "PF na cola de 10 a 12 deputados bolsonaristas".

Em seguida, o mandatário escreve: "Mais um motivo para a troca", se referindo à sua intenção de tirar Valeixo do comando da corporação.

Bolsonaro nega que, durante a reunião no Planalto do dia 22 de abril, tenha se referido especificamente à PF em suas falas.

Afirma que jamais buscou pressionar Moro para mexer na corporação com o objetivo de influenciar em investigações ligadas a questões pessoais ou familiares.

Na sexta-feira (22), foi divulgada a gravação da reunião entregue pelo governo ao STF no inquérito.

O teor do vídeo e os depoimentos em curso são decisivos para a PGR (Procuradoria-Geral da República) concluir se irá denunciar o presidente Jair Bolsonaro por corrupção passiva privilegiada, obstrução de Justiça e advocacia administrativa por tentar interferir na autonomia da Polícia Federal.

À noite, no Palácio da Alvorada, Bolsonaro repetiu que não tentou interferir na Polícia Federal, como acusou Moro.

"Nunca interferi na PF, mas, coincidência, só depois da saída do Sergio Moro que a PF começou a andar pra frente. Eu nunca interferi, sempre liberdade total", afirmou.