As 'Novas Rotas da Seda', o maior projeto do presidente chinês

O presidente chinês Xi Jinping inaugura a cúpula das Novas Estradas da Seda em 26 de abril de 2019 em Pequim

A segunda cúpula das "Novas Rotas da Seda", inaugurada nesta sexta-feira (26) por Xi Jinping, é dedicada ao projeto do presidente chinês, que tenta colocar seu país no centro das relações econômicas mundiais.

Oficialmente chamado de "o Cinturão e a Rota", este projeto procura melhorar as relações comerciais intercontinentais mediante a construção de portos, ferrovias e parques industriais.

- Quem apoia? -

O presidente russo, Vladimir Putin, e o primeiro-ministro paquistanês, Imran Khan, aliados da China, estão presentes, assim como outros 35 chefes de Estado e governo procedentes de Ásia, África e América Latina, assim como os dirigentes máximos da ONU e do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Mas a maioria dos países da Europa ocidental, prudentes diante do projeto chinês, apenas enviou ministros, e os Estados Unidos não têm representação.

Há uma exceção: o chefe do governo italiano, Giuseppe Conte, cujo país se somou à iniciativa chinesa em março, tornando-se a primeira nação do G7 a fazê-lo.

O fórum, que vai até sábado, reúne participantes de 150 países, inclusive da vizinha da Coreia do Norte.

- Centenas de bilhões -

Desde o lançamento das Novas Rotas da Seda, em 2013, a China investiu ao todo 90 bilhões de dólares em vários projetos, e os bancos emprestaram entre 195 bilhões e 295 bilhões de dólares, de acordo com Xiao Weiming, alto responsável chinês encarregado do programa.

- Os países que se uniram -

Segundo o ministro chinês das Relações Exteriores, Wang Yi, 126 nações e 29 organizações internacionais já assinaram acordos de cooperação com Pequim.

Esses acordos não representam necessariamente um apoio incondicional ao projeto chinês, embora proponham cooperação em outros países, ou em matéria de investimentos.

- Trens -

Uma linha de frete ferroviário entre a China e a Europa liga 62 cidades chinesas a 51 cidades europeias, espalhadas por 15 países. Esses trens fizeram 14.691 viagens desde seu lançamento em 2011, de acordo com Pequim.

O valor total das mercadorias negociadas nos dois sentidos é de cerca de 34 bilhões de dólares em 2018.

O reflexo do desequilíbrio comercial é que 94% dos trens que partem da China estão cheios, contra apenas 71% daqueles que fazem o caminho inverso.

Além disso, duas linhas ferroviárias ligarão a China ao Laos e à Tailândia.

No Quênia, um trem destinado às "Rotas da Seda" une a capital Nairóbi a Mombaça, o principal porto do país, localizado à margem do Oceano Índico.

- Estradas e portos -

No Paquistão, uma série de obras de infraestrutura (estradas, ferrovias, produção de energia) foi construída para ligar a costa sul do país à cidade chinesa de Kashgar (noroeste).

O projeto, chamado "Corredor Econômico China-Paquistão", inclui a construção de estradas, represas hidrelétricas e obras no porto paquistanês de Gwadar, no mar da Arábia.

Para Islamabad, o objetivo é estimular o crescimento nacional e, para Pequim, ter, por meio desse acesso marítimo, uma rota mais rápida e segura para suas importações de petróleo do Oriente Médio.

O projeto suscita desconfiança por parte da Índia, porém, já que o "corredor" cruza parte da Caxemira administrada pelo Paquistão, um território que Nova Délhi considera ilegalmente ocupado.