Nove a cada dez brasileiros temem o efeito das queimadas na Amazônia

Raphaela Ramos
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Proteger o meio ambiente deve ser uma prioridade, mesmo que isso signifique menos crescimento econômico e geração de empregos. Esta é a opinião de 77% dos entrevistados de uma pesquisa realizada pelo Ibope com mais de 2,6 mil brasileiros divulgada ontem.

O estudo, encomendado pelo Instituto de Tecnologia e Sociedade (ITS-Rio), em parceria com o Programa de Comunicação de Mudanças Climáticas da Universidade Yale (EUA), mostrou também que 92% da popu com o levantamento, realizado entre setembro e outubro de 2020, pouco após níveis recordes de incêndios na Amazônia e no Pantanal, nove em cada dez brasileiros acreditam que o fogo na floresta amazônica é uma ameaça para o clima e o meio ambiente do planeta e que pode prejudicar a qualidade de vida da população.

Além disso, quatro em cada cinco entrevistados durante a pesquisa consideram que as queimadas impactam a imagem do país no exterior, e 78% entendem que os incêndios podem dificultar também as relações comerciais com outros países.

Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima, avalia que o resultado da investigação contrasta com a visão negacionista do poder público em relação ao meio ambiente e as mudanças climáticas:

— O brasileiro está em consonância com a percepção que o mundo tem sobre o tema. Acredito que a importância dada pela população vai em algum momento invadir o mundo da política.

Segundo a pesquisa, quase metade dos brasileiros (42%) declarou já ter votado em algum político em razão de suas propostas para defesa ambiental e 59% deixaram de comprar ou usar algum produto que prejudique o meio ambiente.

Para Anthony Leiserowitz, diretor do Programa de Comunicação de Mudanças Climáticas da Universidade Yale, nos Estados Unidos, os dados mostram que os brasileiros são muito mais envolvidos com o tema das mudanças climáticas do que os americanos.

— Noventa e dois por cento dos brasileiros entendem que o aquecimento global está acontecendo. Nos EUA, são apenas 73%. É uma grande diferença — ressalta Leiserowitz: — Os brasileiros também entendem mais que o aumento da temperatura acontece por ações humanas e estão mais preocupados.

Leiserowitz considera que, no Brasil, o meio ambiente não é um tema que provoca polarização política com a mesma intensidade vista nos EUA, apesar de diferenças entre direita e esquerda.

— O meio ambiente já teve um impacto enorme em eleições nos EUA, Europa e na Austrália. Todos observam o Brasil, que deve escolher se vai se tornar um líder na defesa do meio ambiente ou se vai resistir a esse debate e, assim, se isolar da comunidade internacional — destaca.