Oito em cada dez brasileiros dizem que preço dos alimentos é o que mais tem pesado no orçamento das famílias, mostra pesquisa

Com a inflação batendo dois dígitos há nove meses consecutivos, e um acumulado de 11,73% em maio, segundo o IBGE, o consumidor, claro, percebe a carestia nos mais diferentes setores do consumo, mas no supermercado, o impacto é maior: nove em cada dez brasileiros dizem que os produtos aumentaram ou aumentaram muito em relação ao início do ano, e 78% indicam os alimentos como os mais impactados pela inflação. É o que mostra uma pesquisa da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

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O levantamento ouviu 3 mil pessoas entre os dias 21 de maio e 2 de junho nas cinco regiões do país. O panorama do impacto do aumento dos preços dos alimentos no orçamento familiar se mantém em todos os segmentos da sociedade, chegando a 96% entre os que ganham acima de cinco salários-mínimos. Entre as mulheres, o percentual chega a 82%.

– Tudo subiu muito nos últimos meses. O que eu senti mais diferença foi no óleo, café, margarina e sabão em pó, que praticamente dobraram de preço. A carne ficou impossível. A gente tem tentado comprar mais frango ou peixe e, quando leva carne, são peças menores – conta a dona de casa Célia Regina Silva, de 55 anos, que tem feito o possível para manter o mesmo padrão das compras da família.

Combustíveis preocupam

Os combustíveis também são outro fator de preocupação. De acordo com a pesquisa, 42% dos entrevistados citam o aumento da gasolina, etanol e diesel como um grande impacto no custo de vida, principalmente entre os homens, quem está entre os 25 e 44 anos, tem ensino superior e renda familiar de 2 a 5 salários-mínimos.

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O peso do valor dos serviços de saúde ou remédios é mencionado por 17% dos ouvidos.

“Nesta rodada da pesquisa reverbera os desafios da retomada econômica em uma conjuntura desfavorável de inflação alta, aumento do preço do petróleo e desdobramentos do impacto da guerra na Ucrânia”, apontou o cientista político e sociólogo Antonio Lavareda, presidente do Conselho Científico do Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), responsável pela pesquisa.

Além do peso da inflação nas contas, metade dos entrevistados está desanimado com alguma melhora, e acredita que a vida financeira da família só deve se recuperar após 2022, ou sequer acontecerá.

Já sobre o poder de compra, a divisão entre os que acreditam em queda e os que creem em aumento ou estabilidade é quase similar, com 46% a 50%, respectivamente.

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Quando a perspectiva é a recuperação da economia do país, o número de pessimistas sobe, chegando a 77%, e são principalmente os menos escolarizados (12%) e com menor renda (11%).

A pesquisa também mostrou que, pensando num cenário mais favorável, com a possibilidade de recursos extras nas contas da família, os entrevistados pensam em comprar um imóvel (31%) ou reformar a casa onde vivem (16%). Outros 38% dizem que aplicariam o dinheiro na poupança ou em outros investimentos bancários. Essa opção foi mais citada por mulheres, pessoas acima de 60 anos, com maior escolaridade e renda.

O levantamento também perguntou se os entrevistados já foram vítimas de golpes e fraudes financeiras, envolvendo instituições bancárias. Apenas um terço dos ouvidos respondeu que sim, com a clonagem ou troca de cartão entre os crimes mais frequentes (64%). No entanto, o percentual subiu na comparação com o ano passado: eram 21% em setembro, 22% em dezembro e crescendo agora para 31%.

Programe-se:

Já os golpes que envolvem o WhatsApp vêm crescendo gradualmente: 21% em setembro/2021, 24% em dezembro/2021 e agora 25%.

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