Nove grupos rebeldes etíopes se unem contra governo

·2 min de leitura
Militares etíopes participam de cerimônia em memória dos mortos do conflito na região de Tigré, em Addis Abeba, em 3 de novembro de 2021 (AFP/EDUARDO SOTERAS)

Nove grupos rebeldes etíopes, incluindo os de Tigré, que ameaçam a capital, Addis Abeba, anunciaram nesta sexta-feira (5) a criação de uma aliança contra o governo do primeiro-ministro Abiy Ahmed, em meio à escalada do conflito.

"Nossa intenção é derrubar o governo", declarou Berhane Gebre-Christos, representante do Frente da Libertação do Povo do Tigré (TPLF) durante a assinatura dessa aliança em Washington.

A intitulada Frente Unida das Forças Federais e Confederadas Etíopes agrupa a TPLF, na linha de frente dos combates há um ano; o Exército de Libertação Oromo, ou OLA, aliado da TPLF; e mais sete movimentos, cuja capacidade e tamanho são mais incertos.

Trata-se de organizações procedentes de diferentes regiões (Gambela, Afar, Somali e Benishangul), ou etnias (Agaw, Qemant, Sidama) do país.

"Esta frente unida responde às inúmeras crises que o país vive" para "anular os efeitos nefastos do poder de Abiy Ahmed sobre os povos da Etiópia e de outras partes", afirmaram estas organizações em um comunicado.

Elas também consideram "necessário" "unir suas forças para uma transição" na Etiópia.

O procurador-geral etíope Gedion Timothewos classificou essa aliança como um "golpe de comunicação" sem "verdadeira base popular".

Os dois lados ignoraram os pedidos dos Estados Unidos e da comunidade internacional para estabelecerem um cessar-fogo e iniciarem negociações.

Os Estados Unidos pediram, nesta sexta-feira, aos seus cidadãos que abandonem o país "o mais rápido possível" diante da escalada do conflito.

A guerra contra os rebeldes da TPLF no norte do país estourou há um ano, quando o governo federal enviou o Exército para destituir as autoridades dissidentes, em resposta a supostos ataques contra bases militares federais.

Abiy Ahmed proclamou sua vitória no final de novembro de 2020. A partir de junho deste ano, porém, o conflito sofreu uma reviravolta.

Os rebeldes do Tigré avançaram para além de sua região e, na quarta-feira (3), anunciaram a tomada da localidade de Kemissie, na região vizinha de Amhara, a 325 quilômetros de Addis Abeba.

O governo de Abiy Ahmed desmente as conquistas dos rebeldes e disse ontem que não vai recuar nesta "guerra existencial".

Nesta sexta-feira, o ministro da Defesa pediu aos membros aposentados do exército que se reincorporem para "proteger o país do complô que busca desintegrá-lo".

O porta-voz do primeiro-ministro classificou de "desinformação" os anúncios do TPLF. "Em Abis Abeba se vive uma sensação de normalidade", acrescentou.

fff-rcb-amu/sva/md/ayv/grp/me/tt/aa

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos