Nove de Julho e marginal Tietê são vias com mais multas de trânsito em São Paulo

***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP - Trânsito na avenida Nove Julho, em São Paulo. (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP - Trânsito na avenida Nove Julho, em São Paulo. (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Por volta das 21h, na esquina da avenida Nove de Julho com a alameda Franca, nos Jardins, zona oeste de São Paulo, tem início a hora do dia em que o maior número de multas manuais são produzidas na cidade. O cruzamento foi o recordista de autuações pelos fiscais da CET (Companhia de Engenharia do Tráfego) no ano passado.

A esquina registrou uma média de 28 multas por dia, chegando ao total de 3.300 autuações entre janeiro e outubro (ainda não há dados disponíveis para novembro e dezembro). O motivo de 9 em cada 10 registros de infração no local: não manter a luz baixa acesa durante a noite --uma infração média resulta no acréscimo de quatro pontos da carteira de habilitação e no pagamento de R$ 130,16.

Trata-se de uma mudança no ranking de endereços que mais geram multas na cidade. Em 2020, o campeão de multas aplicadas por agentes da CET era a praça Comandante Linneu Gomes, em frente à área de embarque e desembarque do aeroporto de Congonhas, na zona sul.

Com autuações por estacionar em local proibido, especialmente entre taxistas e motoristas de Uber, a praça continua entre os dez endereços com mais autuações de trânsito na cidade: caiu para sétimo lugar, com 1.072 multas cerca em dez meses.

A cerca de sete quilômetros da esquina da Nove de Julho está o radar campeão de multas da capital. Na marginal Tietê, a poucos metros da ponte das Bandeiras, um equipamento que mira a pista central da via no sentido Castello Branco registra quase 226 multas por dia, ou seja, nove autuações a cada hora.

A maior parte é por excesso de velocidade em até 20% acima do limite permitido (cinco pontos na carteira e multa de R$ 195,23) e por desrespeito ao rodízio de veículos (quatro pontos na carteira e multa de R$ 130,16). Além da marginal, as avenidas Professor Abraão de Morais, na zona sul, e Alcântara Machado, na zona leste, têm os radares que mais multam na cidade.

A gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) chegou ao maior patamar de arrecadação com multas de trânsito dos últimos quatro anos, mesmo que o volume de autuações não tenha aumentado. Os cofres da prefeitura estão sendo beneficiados pelo retorno da cobrança por infrações que ocorreram durante a pandemia de Covid-19.

Duas deliberações do Contran (Conselho Nacional de Trânsito), em 2020, suspenderam os prazos para processamento de multas e para a interposição de recursos. Esses procedimentos foram retomados em 2021, com um cronograma para processar as multas gradualmente ao longo dos meses, o que fez com que a arrecadação disparasse no ano passado.

De janeiro a novembro de 2022, mais de R$ 1,7 bilhão em multas arrecadadas pela CET foi destinado aos cofres municipais. É mais que o dobro do valor no mesmo período do ano anterior, quando R$ 560 milhões foram arrecadados. O ano passado teve o maior montante de multas cobradas dos últimos quatro anos, considerando valores corrigidos pela inflação do período.

Alguns endereços campeões de multa na cidade tiveram altas repentinas nas infrações. É o caso da avenida Comendador Martinelli, no ponto em que encontra a rua Barão de Pombalinho, que dá acesso à marginal Tietê.

Durante oito meses, até agosto, menos de dez autuações foram registradas no local. No mês seguinte, o número subiu para 411 multas. Em dois meses, o volume de registros foi alto o suficiente para colocá-lo entre os nove endereços da cidade com mais autuações. A infração registrada com mais frequência ali é deixar de dar seta, ou seja indicar com antecedência a mudança de direção.

O segurança José Clécio, 33, que trabalha em um prédio a poucos metros do entroncamento, diz que as viaturas da CET estão sempre no local nos horários de rush. "Faz sentido [que seja um local com muitas multas] porque aqui, quando alaga ou tem alguma faixa interditada, tem muito motorista que dá ré e muda de caminho sem ligar o pisca alerta nem nada", conta Clécio.

A alta de multas no local coincidiu com uma obra na ponte da Freguesia do Ó, no segundo semestre do ano passado. Há pedestres que reclamam que a travessia no local é dificultada quando os motoristas não sinalizam a conversão.

Na rua Glicério, bem embaixo dos viadutos da ligação Leste-Oeste, está o endereço vice-campeão em autuações manuais pelos agentes da CET. Quem trabalha no entorno diz que o trecho é perigoso para os pedestres, com infrações frequentes dos motoristas de carros e ônibus.

Barreiras da CET estão posicionadas ali para bloquear alguns acessos dos motoristas que descem do complexo viário para as ruas do bairro, mas esses bloqueios são desrespeitados com frequência. Segundo funcionários de um posto de gasolina em frente ao viaduto, há motoristas que descem dos carros para mover as barreiras. Alguns equipamentos estão amassados e parcialmente destruídos, indicando o dano provocado pelos veículos.

A frentista Sílvia Gonçalves, 44, trabalha há um ano e meio em frente ao local e afirma que também é comum que carros e motos invadam o espaço do posto de gasolina para escapar da fila no semáforo. Ela já passou perto de ser atropelada no local. "Aqui é horrível, especialmente de sábado para domingo e de domingo para segunda, tem motoristas que passam bêbados mesmo de manhã."