Com protagonistas brancos, "Quanto Mais Vida Melhor" tem nove atores negros e três trans

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Neném (Vladimir Brichta), Paula (Giovanna Antonelli), Guilherme (Mateus Solano) e Flávia (Valentina Herszage) são protagonistas de
Neném (Vladimir Brichta), Paula (Giovanna Antonelli), Guilherme (Mateus Solano) e Flávia (Valentina Herszage) são protagonistas de "Quanto Mais Vida Melhor" (foto: Globo)

Resumo da Notícia:

  • "Quanto Mais Vida Melhor" é o a nova novela das sete da TV Globo e foi gravada durante a pandemia

  • Os quatro postos de protagonista são cupados por pessoas brancas, outros nove personagens são negros

  • A trama ainda conta com três mulheres trans em diferentes núcleos da história 

Há alguns anos a defesa por igualdade racial está cada vez mais potente e necessária no mundo, mas no Brasil, onde 56% da população é preta e parda segundo o IBGE, esse cenário poderia não ser estranho na televisão, mas é. Em “Quanto Mais Vida Melhor”, nova novela das sete da TV Globo, nenhum dos quatro protagonistas é negro ou não branco.

Durante a coletiva de imprensa da trama, Yahoo! questionou ao diretor artístico da novela, Allan Fiterman, e o autor Mauro Wilson sobre a escolha de Vladimir Brichta, Giovanna Antonelli, Mateus Solano e Valentina Herszage para os principais personagens. Todos brancos.

“Buscamos a diversidade o tempo inteiro e eu busco isso nos meus trabalhos. Temos protagonismo negro na trama, sim. Não é o ideal, mas estamos em busca dele e avançando nesse ponto”, ressaltou Allan durante a conversa.

Se no primeiro escalão nenhuma das pessoas são não negras, 12 personagens da história são. Ao todo o kit de imprensa do produto lista 52 atores. “Temos a barbara Colen que está na no time de antagonistas. Ela é o elo do principal romance da história entre os dois protagonistas, o Nenê (Vladmir Brichta) e o Guilherme (Mateus Solano)”, destacou Fiterman.

E continuou: “Ela tem um filho negro, o Matheus Abreu. O Neném tem duas ex-mulheres, uma é a Michele Machado, que mora na casa dele, e tem uma função importante naquele núcleo. Temos a doutora Joana (Mariana Nunes), que trabalha com o Guilherme, e faz um papel que foge dos papeis de padrões que pessoas negras representam.”

O diretor lembrou que na sinopse da novela não havia a indicação para que ela fosse representada por uma atriz negra. “Achamos importante essa representatividade. Joana se desenvolve bastante na trama e tem questões sobre adoção mais adiante”, alerta.

A novela ainda conta com Zezeh Barbosa no grupo cômico, Cridemar Aquino como o delegado, Camila Rocha, Diego Francisco e Fabrício Assis no núcleo jovem. “Não estamos perfeitos, mas queremos buscar”, completa.

Sexualidade ampla

Além dos atores heterossexuais, três atrizes trans permeiam os núcleos sem serem citadas como tal. Nany People faz a atendente do motel da história, um dos pontos de comédia; Carol Marra é uma mulher cis na história e diretora jurídica da empresa de Paula (Giovanna Antonelli).

A morte, vivida por A Maia, também é uma mulher trans e aparece diretamente para os quatro protagonistas durante a segunda chance que lhes é dada após a queda do avião. “É a nossa busca por diversidade. Não somos perfeitos, mas buscamos isso”, reforça novamente o diretor. “A morte é uma grande personagem na novela. Quando as pessoas forem assistir, elas vão notar essa diversidade”, conclui Mauro.

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