“Estamos cheios de vícios que não conseguimos deixar”, diz Fraga em volta às novelas

·3 min de leitura
Denise Farga é a Júlia em
Denise Farga é a Júlia em "Um Lugar ao Sol" (Foto: Fábio Rocha/Globo)

Resumo da Notícia:

  • Atriz estava longe das novelas há cerca de 27 anos e volta em "Um Lugar ao Sol"

  • Júlia, sua personagem é uma cantora na casa dos 50 que sofre de alcoolismo 

  • Denise frequentou reuniões dos Alcóolicos Anônimos para construir a personagem 

Denise Fraga está de volta às novelas após 27 anos! Sim, a atriz não faz uma novela desde “Éramos Seis”, no SBT, em 1994, e está de volta como a cantora Julia, em “Um Lugar ao Sol”, primeira novela inédita das 21 horas na TV Globo desde o início da pandemia.

Escrita por Lícia Manzo, a personagem é uma cinquentona que busca chegar à fama como cantora, mas vive diversos dilemas. Além de uma relação conturbada com o filho Felipe (Gabriel Leone), ela trava uma luta contra o vício em álcool.

Leia também

“A característica do alcoolismo é tão forte que você acaba relevando. A Júlia tem outras 300 camadas sem o problema da adição, mas o vício tirou dela as coisas preciosas como a vida. Como a proximidade do filho. E essa história com o Gabriel Leone foi muito linda”, afirma.

Para construir essa personagem bastante densa, em meio à uma pandemia, a atriz frequentou o Alcoólicos Anônimos. “Fui a algumas reuniões do AA e aprendi a falar que se chama alcóolica e não alcóolatra. Fico pensando que todos nós deveríamos frequentar reuniões que eles promovem. Porque estamos cheios de vícios que não conseguimos deixar”, ressaltou.

E continuou: “A adição, hoje, é uma coisa que ela permeia nossa vida. Estamos sendo tão estimulados pelo mundo, em alta voltagem, não temos mais como falar de vício de drogas e álcool. Estamos mergulhados em vidas que gostaríamos que fossem diferentes. E uma coisa incrível da novela proporcionar que as pessoas conheçam este trabalho”, avalia.

Experiências próprias

Para Júlia, Fraga ainda buscou na memória algumas vivências. “E esse personagem é muito reconhecível para mim. Todo mundo teve um amigo que já deu a mão e teve a necessidade de entender que isso é uma doença que precisa ser cuidada. Não é fácil ver isso”, relata.

Denise destaca que, para além de toda a dor do vício e suas marcas, Júlia tem um lado cômico que promete ganhar o público. “Ela tenta manter um otimismo trágico, manter a alegria. E nisso ela se enfia em todo o tipo de mancadas. Ela tem humor, tem tudo junto. Uma tragédia melancólica cheia de humor e muito bem escrita. Amei fazer essa personagem que tenta de toda a maneira falar que está ‘tudo bem’”, completa.

Álcool x Pandemia

Durante os mais de 17 meses de pandemia de covid-19 o consumo de álcool cresceu 52,8% segundo pesquisa da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) realizada em 2020. A porcentagem dos entrevistados afirmara que exageraram na dose da bebida e reportaram ao menos um sintoma emocional como ansiedade, nervosismo, insônia, preocupação, medo, irritabilidade e dificuldade para relaxar durante o período.

“Todos nós bebemos mais vinho, obviamente, até porque no início acreditávamos que merecíamos um prêmio por estar em casa (risos). Mas é mesmo uma coisa que se vê que aumentou e precisamos estar atentos”, disse Denise ao ser questionada sobre o seu consumo de álcool nos últimos meses.

Mas fez questão de ressaltar que não se excedeu no consumo. “Mas a minha relação com o álcool, graças a Deus, sempre foi serena. Gosto de beber, mas bebo socialmente”, conclui.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos