Novembro Azul: 55% dos homens deixaram de se tratar na pandemia, mostra pesquisa

Evelin Azevedo
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Uma pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) mostra que 55% dos homens acima de 40 anos deixaram de fazer alguma consulta regular ou tratamento médico em função da pandemia. Esse dado pode ter impacto, por exemplo, no diagnóstico de câncer de próstata, o segundo mais comum entre os pacientes do sexo masculino, atrás do câncer de pele não-melanoma.

O Inca estima que 65.840 casos de tumor na próstata surjam em 2020. No entanto, nem todos os novos casos devem ser diagnosticados neste ano devido à queda de consultas urológicas provocada pela Covid-19.

De acordo com Antonio Carlos Pompeo, presidente da SBU, houve uma redução de 70% dos exames laboratoriais de PSA, um dos testes que ajuda no diagnóstico. Por isso ele reforça a importância de que homens voltem a procurar por especialistas para realizar o diagnóstico precoce, já que os sinais começam a aparecer apenas quando a doença já está avançada.

Os homens devem procurar por um urologista a partir dos 50 anos. Aqueles que apresentam fator de risco aumentado, como caso de doença na família ou etnia negra, devem iniciar as consultas aos 45 anos.

— Um homem com idade entre 70 e 80 anos têm 20% de chance de ter câncer de próstata — alerta Pompeo.

O diagnóstico é feito com os exames de sangue (PSA) e toque retal. Um é complementar ao outro, por isso ambos são essenciais. Caso haja alguma alteração, o médico poderá solicitar uma biópsia. Se tudo estiver normal, o especialista orientará o paciente quando ele deverá fazer o rastreio da doença novamente.

A realização de exames de rotina para o diagnóstico de câncer é fundamental para a descoberta da doença nas fases inicias, o que aumenta muito as chances de cura.

— A possibilidade de ter um tratamento efetivo aumenta quanto mais inicial é a doença, pois a probabilidade de cura é maior. Além disso, na fase inicial, a doença demanda um tratamento de menor complexidade e com menos efeitos colaterais — afirma Denis Jardim, oncologista clínico do Hospital Sírio Libanês.

Nem todos os casos de câncer de próstata recebem tratamento medicamentoso ou de radioterapia. Quando o tumor é muito pequeno, localizado apenas na próstata, e não é agressivo, o tratamento passa a ser vigilância ativa. Ou seja, o paciente faz exames rotineiramente para acompanhar a evolução da doença. Caso ela avance, inicia-se o tratamento usando as terapias mais indicadas.

— Cerca de metade dos pacientes que entram em vigilância ativa nunca vão precisar tratar — afirma Jardim.

Para os pacientes que descobriram a doença em estágio avançado, o oncologista reforça que há várias novidades no tratamento que eleva as chances de cura mesmo nos casos mais complexos:

— Estão ocorrendo enormes avanços no tratamento, desde o uso de remédios bloqueadores de testosterona mais potentes, como o uso da imunoterapia e de quimioterapias mais modernas.