De novo: aposentada do INSS tem benefício suspenso e há quase três meses tenta provar que está viva

Uma aposentada por invalidez teve seu benefício do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) suspenso porque, segundo o órgão, ela teria morrido. Maria da Conceição Machado da Silva, de 63 anos de idade, moradora de Rocha Miranda, na Zona Norte do Rio, levou um susto em agosto passado quando foi receber seu pagamento: o dinheiro não estava na conta.

Preocupada, ela buscou informações na Caixa Econômica Federal onde recebe o benefício e foi informada que deveria ligar para o INSS. E assim o fez, ligou para a central de atendimento 135 e obteve a seguinte resposta da atendente, que confirmou que o pagamento estava suspenso: uma reclamação foi registrada e o caso entraria em análise. A resposta, segundo o órgão, seria dada em cinco dias. No entanto, passados quase três meses, nada do pagamento.

Com a demora na resolução do problema, a aposentada buscou informações em um posto do INSS. Lá, segundo o servidor, o benefício estava suspenso porque uma pessoa com o nome similar havia morrido. Ou seja, nem era um homônimo (pessoas com o mesmo nome e sobrenome). E começou a via-crúcis da aposentada, que faz uso de medicações para manter uma certa qualidade de vida. Ligações, acesso pelo aplicativo, ida ao banco e ao posto do INSS em busca de uma solução para o problema.

Um ponto a destacar neste caso: Maria da Conceição fez a prova de vida anual na Caixa Econômica por biometria. Portanto, comprovou que está viva e, mesmo assim, o INSS manteve o corte do benefício. A biometria, inclusive, é uma das provas utilizadas pelo INSS para que o aposentado comprove que está vivo e não precise se deslocar para uma agência bancária ou um posto previdenciário para realizar o recadastramento anual.

Procurado pelo EXTRA, o INSS informou na quinta-feira passada que o benefício seria reativado naquele dia e que o pagamento seria restabelecido. Acrescentou também que em dez dias os atrasados seriam pagos. No entanto, nesta segunda-feira, ao ligar no 135 para saber do benefício foi informada que ele ainda está suspenso.

— O que mais nos deixa indignados é o fato de estar suspenso e em análise todo esse tempo, mesmo ela fazendo prova de vida e votando nos dois turnos. Quando o INSS avisou do óbito e minha mãe informou que foi algum engano e que poderia apresentar os documentos, eles deram cinco dias para análise e uma resposta — conta a filha da aposentada, Gisele Machado da Silva, de 44 anos.

Essa não é a primeira vez de um “morto que passa bem” no INSS. Conforme o EXTRA noticiou em junho passado, Antônio Carlos da Silva, de 62 anos, morador de Campo Grande, na Zona Oeste do Rio, ficou quatro meses sem seu benefício.

Segundo o aposentado informou na época, o órgão alegou que ele morreu em março, apesar de receber seu pagamento por meio de biometria no Banco do Brasil (BB) mensalmente. O benefício de Antônio Carlos foi restabelecido somente em julho.

Após mais de um ano sem pagamento, também por estar morta, Juracy Abreu de Salles, de 84 anos, de Campo Grande, teve seu benefício reativado em abril deste ano. A idosa chegou a fazer campanha pela internet para chamar atenção do INSS. Ela recebe o Benefício de Prestação Continuada (BPC/Loas), que equivale a um salário mínimo (R$ 1.212), há 19 anos. Mas por um erro do INSS o pagamento foi suspenso, mesmo após a idosa terrealizado prova de vida no banco onde recebe o benefício.

Após muitas idas e vindas, além de apresentação e extravio de documentos em um posto previdenciário na Zona Oeste, o BPC/Loas de Juracy foi restabelecido 1 ano e um mês após ter sido suspenso.