Novo comandante do Exército convoca primeira reunião de cúpula da Força após assumir o posto

O novo comandante do Exército, general Tomás Miguel Ribeiro Paiva, convocou para a próxima terça-feira a primeira reunião com a cúpula da Força desde que assumiu o posto, no sábado. É neste encontro que os demais 16 generais de quatro estrelas que compõem o Alto Comando serão informados das diretrizes do novo chefe do Exército.

A expectativa para a reunião de cúpula é se o novo comandante vai abordar com os colegas quais providências pretende tomar a respeito do envolvimento ou leniência de militares durante os atos golpista do último dia 8. Ele foi incumbido pelo Palácio do Planalto de dar andamento a investigações sobre a participação de militares nos ataques.

Tomás foi escolhido para substituir o general Júlio César Arruda, demitido no sábado. O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, justificou a troca no comando alegando que houve "fratura de confiança" na relação com o Exército.

— Fazíamos reuniões, mas não tinha mais clima — disse Múcio em entrevista ao GLOBO neste domingo.

Lula nunca digeriu o fato de Arruda ter sido contra a prisão imediata de golpistas que invadiram as sedes dos Poderes em 8 de janeiro e estavam alojados em um acampamento em frente ao Quartel General do Exército, em Brasília. O general alegava que havia mulheres e crianças no local que poderiam ser vítimas de um eventual confronto com a Polícia Militar. Essa postura irritou o presidente e ministros do governo, que passaram a pressionar o ministro da Defesa.

Após a demissão de Arruda, outros três militares ainda são vistos com reservas por interlocutores do Planalto. Um deles é o general Gustavo Henrique Dutra de Menezes, atual chefe do Comando Militar do Planalto (CMP). Aliados de Lula acreditam que ele pode ter sido leniente com os golpistas. Outro que gera desconfianças junto ao governo é o tenente-coronel Paulo Jorge Fernandes da Hora, chefe do Batalhão da Guarda Presidencial (BGP), gravado discutindo com policias militares enquanto vândalos destruíam o Palácio do Planalto.

O terceiro militar, que está na mira do governo, é o ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, o tenente-coronel Mauro Cid, designado para comandar o 1º Batalhão de Ações e Comandos, unidade de Operações Especiais. Cid foi escolhido para o posto em maio do ano passado, mas só assumiria a cadeira em fevereiro. O Planalto já havia indicado que esperava que a nomeação fosse anulada, uma vez que Cid é investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Arruda, porém, não fez a mudança, o que contribuiu para a demissão dele.

A nomeação do novo comandante do Exército foi publicada na noite de sábado no Diário Oficial da União (DOU). A passagem do Comando, porém, ainda não tem data para ocorrer. Segundo O GLOBO apurou, general Tomás e o ministro da Defesa acertaram de fazer uma cerimônia com homenagem a general Arruda. Porém, o ex-comandante, após ser demitido, se submeteu a uma cirurgia considerada simples e, em princípio, passará duas semanas em recuperação. A intenção é aguardar uma data em que Arruda possa estar presente para transferir simbolicamente o comando para Tomás, que na prática já está na chefia do Exército.