Novo coordenador do Gaeco, o procurador Luciano Lessa, é visto pelos colegas como um dos melhores no júri

O procurador Luciano Lessa Gonçalves dos Santos, de 50 anos, é o novo coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ). Nomeado pelo procurador-geral de Justiça, Luciano Mattos, que tomou posse na manhã desta terça-feira, Lessa assume o Gaeco em meio à uma crise institucional, quando 29 membros do grupo pediram exoneração dos cargos, em apoio à primeira colocada na lista tríplice, a procuradora Leila Machado Costa. O governador Cláudio Castro escolheu Mattos, o segundo lugar na lista, o que lhe é garantido por lei, não seguindo a tradição de nomear o mais votado.

O Gaeco é um dos setores mais importantes da instituição, principalmente porque a Força-Tarefa do Caso Marielle e Anderson passou para o grupo depois das saídas das promotoras Simone Sibílio e Letícia Emile, em julho de de 2021. O homicídio da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes, ocorreu em 14 de março de 2018. As promotoras e o titular da Delegacia de Homicídios da Capital, Geniton Lages, chegaram aos executores do crime: o sargento reformado Ronnie Lessa e o ex-PM Élcio de Queiroz, acautelados em presídios federais fora do estado. Até hoje, as investigações não chegaram ao mandante do crime. É no Gaeco onde se encontram os casos mais sensíveis ligados a milícias e à contravenção.

Antes de seu nome ser publicado no diário oficial do Ministério Público, nesta terça-feira, Luciano Lessa fazia parte da cúpula de Mattos, na sua primeira gestão (biênio 2021/2022), responsável pela Assessoria de Atribuição Originária Criminal. Bacharel em direito pela UERJ, ingressou na carreira de promotor de Justiça ao passar no concurso de 1985, passando por várias áreas para adquirir experiência, embora sua paixão sempre fosse a área criminal, principalmente o tribunal do júri. É visto por seus pares como um dos melhores à frente do júri.

De 1998 a 2004, Luciano Lessa esteve lotado na Promotoria de Justiça do Tribunal do Júri de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Passou para a capital de 2004 até 2021, onde atuou na Promotoria de Justiça do IV Tribunal do Júri da Capital, justamente onde está o caso Marielle. No entanto, por já ser procurador, ele não pode atuar na primeira instância. Como procurador, só pode trabalhar em Câmaras Criminais ou Cíveis.

Promovido a procurador em abril de 2021, integrou a administração do procurador-geral de Justiça, na Assessoria de Atribuição Originária Criminal, responsável pela análise de casos na área criminal que dependem da decisão do chefe do Ministério Público, quando os réus têm foro privilegiado. Há informações de que o procurador-geral de Justiça pretende manter Luciano Lessa interino, mas o nome foi bem recebido pela classe. Segundo fontes ligadas a Mattos, a escolha rápida pelo nome do coordenador do Gaeco foi justamente para que não se perca os prazos em trâmite na Justiça dos processos a cargo do grupo.

Quatro promotores que não saíram com os demais membros do Gaeco foram nomeados, de acordo com o Diário Oficial do MPRJ. São eles: Sérgio Ricardo Gomes Fonseca, Renata Felisberto Nogueira Chaves, Patricia Costa dos Santos e Tatiana Kaziris de Lima Augusto Pereira.