Novo coronavírus 'mutante' pode ser ainda mais contagioso que o original, diz estudo americano

Um novo estudo liderado por cientistas do Laboratório Nacional Los Alamos, no Novo México, nos Estados Unidos, identificaram uma nova cepa do novo coronavírus que se tornou dominante e parece ser mais contagiosa que as versões encontradas nos primeiros dias da pandemia. O vírus mutante apareceu em fevereiro na Europa, migrou rapidamente para a costa leste americana e tem sido dominante no mundo inteiro desde meados de março. Além de se espalhar mais rapidamente, ele pode tornar as pessoas vulneráveis ​​a uma segunda infecção depois de uma primeira crise.

O relatório de 33 páginas foi publicado na última quinta-feira no BioRxiv, um site que os pesquisadores usam para compartilhar seu trabalho antes da revisão por outros cientistas, para acelerar as colaborações entre os quem trabalham com vacinas ou tratamentos para a Covid-19. E suas conclusões foram publlicadas pelo "Los Angeles Times" nesta terça-feira.

A mutação identificada na nova pesquisa afeta os "espinhos" no exterior do coronavírus, que permitem sua entrada nas células respiratórias humanas. Os autores disseram sentir uma "necessidade urgente de um alerta precoce" para que vacinas e medicamentos em desenvolvimento em todo o mundo sejam eficazes contra esta cepa mutante.

 

 

 

Onde quer que a nova cepa aparecesse, ela rapidamente infectou muito mais pessoas do que as que saíram de Wuhan, na China, e em poucas semanas foi a única cepa predominante em alguns países, segundo o estudo. O domínio da nova cepa demonstra que ela é mais infecciosa, de acordo com o relatório, embora o motivo ainda não seja conhecido.

"A história é preocupante, pois vemos uma forma mutada do vírus emergindo muito rapidamente e, durante o mês de março, se tornando a forma pandêmica dominante", escreveu a líder da pesquisa, Bette Korber, bióloga computacional de Los Alamos, em sua página no Facebook: "Quando vírus com essa mutação entram na população, eles rapidamente começam a dominar a epidemia local e, portanto, são mais transmissíveis".

Cientistas de grandes organizações que trabalham com uma vacina ou medicamentos disseram ao "Times" que estão depositando suas esperanças nas evidências iniciais de que o novo coronavírus é estável e que provavelmente não sofrerá uma mutação da mesma forma que o influenza, exigindo uma nova vacina a cada ano. O estudo de Los Alamos poderia derrubar essa suposição.

 

 

 

Se a pandemia não diminuir sazonalmente à medida que o tempo esquenta, alerta o relatório, o vírus poderá sofrer mais mutações, mesmo que as organizações de pesquisa preparem os primeiros tratamentos médicos e vacinas. A eficácia das vacinas, então, poderia ser limitada.

A pesquisa de Los Alamos não indica que a nova versão do vírus seja mais letal que a original. Mas mesmo que não seja mais perigosa que as outras, ainda assim poderá complicar os esforços para controlar a pandemia - se a mutação tornar o vírus tão diferente das cepas anteriores que as pessoas que têm imunidade a elas não seriam imunes à nova versão. Se esse for realmente o caso, poderá tornar "indivíduos suscetíveis a uma segunda infecção", escreveram os autores.