Covid-19: Ao menos R$ 18 milhões foram gastos por governos em remédios sem eficácia comprovada

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Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino
Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino

Desde o início da pandemia, o Estado brasileiro gastou no mínimo R$ 18 milhões adquirindo ou produzindo remédios sem eficácia comprovada contra o novo coronavírus. Levantamento do Globo mostra que estados, cidades e a União compraram hidroxicloroquina, cloroquina, ivermectina e azitromicina, sem comprovação científica de que esses remédios auxiliem no combate ao vírus.

Só o Ministério da Saúde distribuiu 5,2 milhões de comprimidos de cloroquina a estados e municípios. A pasta informou um gasto de R$ 207 mil para adquirir 3 milhões de unidades do remédio produzidos pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

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Já o Exército, que tem laboratório próprio e repassa o produto para a pasta da Saúde fazer a distribuição, desembolsou mais R$ 1,1 milhão para produzir 3 milhões de cápsulas de cloroquina, quantidade suficiente para 18 anos, considerando o uso do medicamento no Brasil em anos anteriores.

O levantamento do Globo mostra que oito estados tiveram despesas próprias com drogas sem eficácia comprovada. Mato Grosso do Sul, Pará, Tocantins e Acre adquiriram hidroxicloroquina. Já Pará, Tocantins, Roraima, Maranhão e Acre compraram azitromicina, droga que chegou a ser indicada como complementar à cloroquina em tratamentos experimentais, também sem evidências científicas. Dezenove estados responderam aos questionamentos da reportagem.

Bolsonaro volta a defender cloroquina

Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a defender a cloroquina em um evento chamado “Brasil vencendo a Covid-19”, realizado em Brasília nessa segunda-feira (24). Já muito criticado por suas falas negacionistas, presidente insistiu que uso do medicamento teria ajudado o Brasil a evitar as mais de 115 mil vítimas fatais do novo coronavírus.

Bolsonaro também bancou a permanência de Eduardo Pazuello, ministro interino da Saúde, que está no cargo desde maio, defendendo a atuação do militar na pasta.

No mesmo evento, Bolsonaro voltou a atacar parte da imprensa ao chamar os profissionais da mídia de “bundões” e dizer que, caso fossem infectados pelo novo coronavírus, teriam menos chances de sobreviver do que ele.

***Com informações de Natália Portinari, Renata Mariz e Naira Trindade, do Globo

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