Novo ensino médio: pandemia faz escolas adiarem adaptação

O Globo
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RIO — Depois de um ano em que a palavra “adaptação” fez parte do vocabulário diário de educadores e alunos devido à Covid-19, o termo não deverá ser deixado de lado em 2021. Além das incertezas da pandemia — que ainda gera dúvida entre o ensino híbrido ou remoto —, as escolas se preparam para uma reforma na grade curricular.

Devido à lei do Novo Ensino Médio, todas os colégios devem aderir, até o ano letivo de 2022, às mudanças, que incluem a criação dos itinerários formativos (disciplinas a serem escolhidas pelos estudantes com foco na formação técnica e profissional que almejam) e a adoção da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que prevê aprendizagens essenciais comuns a todos os alunos. Além disso, a carga horária de cada série deve ser ampliada de 800 horas para mil horas anuais.

De acordo com o Ministério da Educação (MEC), a mudança visa a tornar o aluno o protagonista do ensino, aproximando o conteúdo em sala de aula da realidade em que os jovens vivem.

Apesar de já adotar uma carga horária estendida e trabalhar o socioemocional dos alunos há cinco anos, o Externato Santo Antonio, em Copacabana, se prepara para implementar os itinerários formativos, de forma gradativa, para o 1º ano do ensino médio.

— O aluno vai estudar a base comum e, dentro do que escolher, trabalhar para que o conteúdo se torne uma habilidade, uma competência. Isso será feito de forma diferenciada, com atividades de campo, leituras específicas e debates, por exemplo — explica a coordenadora pedagógica geral, Jaqueline Silva.

A escola utiliza um ambiente virtual que possibilita a adição de aplicativos que trabalhem de forma mais dinâmica o conteúdo visto em sala, além de adotar outras iniciativas como tours em museus on-line, laboratório virtual e softwares de matemática.

— O ensino médio vinha sofrendo com a evasão, principalmente em escolas públicas, onde há mais demandas de subsistência. A mudança curricular trará um novo significado aos estudantes, dará a ele protagonismo — acrescenta a diretora Márcia Poncioni.

O Grupo Eleva — responsável pelos colégio da rede Pensi e Eleva — já tem algumas exigências, como o número mínimo de três mil horas, implementadas na grade de seus alunos. Mas, segundo Carolina Pavanelli, diretora pedagógica da Plataforma de Ensino Eleva, adaptar-se a todas as novas regras não está entre as prioridades este ano.

— Nós optamos por deixar para 2022, pensando em analisar a nova exigência com o propósito de trazer um melhor trabalho para nossos alunos e preparar nossas escolas para a mudança. Além disso, temos previsão de alteração no Enem para 2024, o que implicaria em prejudicar nossos futuros alunos, que estudariam com base no modelo antigo de prova — afirma Carolina.

Devido à expectativa de que 2021 ainda seja um ano de surpresas, o Colégio IBPI, na Barra da Tijuca, tambem optou por ir com calma e adotar os itinerários formativos apenas no ano que vem. Vai iniciar as mudanças na carga horária escolar e introduzir a disciplina de Projeto de Vida, assim como utilizar material pedagógico atualizado.

— A disciplina vai preparar os alunos aos desafios que vão ter pela frente. O tema “Reconhecendo Meu Eu” propõe uma avaliação individual para que os alunos tenham um plano de vida — adianta o diretor Milton Bezerra.

O Centro Educacional Espaço Integrado (CEI), também na Barra, iniciou a adaptação no ano passado, mas planeja mais mudanças: além de estender a medida para a segunda série, vai oferecer mais disciplinas nos itinerários formativos. Inicialmente, eram nove, e agora já são 23, em áreas como humanidades, ciência e tecnologia e ‘english track’.

— A mudança proporciona aos alunos caminhos de acordo com seus possíveis interesses. Se um aluno deseja cursar direito ou comunicação, ele pode optar por disciplinas que vão desenvolver competências e habilidades que serão cobradas no vestibular nas matérias que têm maior peso para sua aprovação — enfatiza o coordenador do ensino médio do CEI, André Cirilo, completando que a preparação será benéfica também para a vida acadêmica do aluno.

Já o Colégio Santo Inácio, em Botafogo, informa que há três anos já trabalha com o desenvolvimento de seus alunos.

— Nós temos oficinas que envolvem a linguagem no campo do discurso e da argumentação; a tecnologia, com as disciplinas de STEM e Robótica; e Sustentabilidade, com a criação de uma estação ambiental, para uma abordagem ecológica e científica — explica Ana Maria Bastos Loureiro, diretora acadêmico-pedagógica do Santo Inácio.

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