Novo estudo francês com casos reais mostra que tratamento preventivo contra HIV funciona

AFP/File

O tratamento preventivo para evitar a infecção pelo vírus HIV é muito eficiente, desde que tomado nas doses e na frequência certas, segundo um estudo francês realizado com casos reais publicado na terça-feira (12) na revista The Lancet Public Health.

A PrEP, como é conhecida a Profilaxia Pré-Exposição, é destinada a pessoas seronegativas. Quem segue este tratamento toma os comprimidos antirretrovirais – Truvada e seus genéricos – para evitar uma contaminação pelo HIV durante relações sexuais sem preservativo.

Até agora, a eficácia deste tratamento tinha sido demonstrada apenas por ensaios clínicos, mas faltavam estudos comparativos de vida real, com critérios mais amplos, visando estudar a eficácia da droga na população, para confirmá-la.

O estudo realizado pela EPI-PHARE, que associa o Seguro Saúde da França (Cnam) e a Agência de medicamentos (ANSM), mostrou que nos homens com alto risco de infecção por HIV por via sexual que participaram dos testes, a eficácia da PrEP alcançou níveis muito altos quando o tratamento foi respeitado.

Realizado a partir de dados do Sistema Nacional de Dados de Saúde (SNDS), o estudo mediu a eficácia da PrEP entre 46.706 homens de alto risco de infecção pelo HIV por via sexual entre 2016 e 2020 na França, entre os quais, 256 foram infectados pelo vírus da Aids durante o monitoramento.

Os resultados mostram que a eficácia da PrEP atingiu um nível próximo do indicado pelos testes clínicos, quando considerados apenas os homens que tomavam três quartos e uma caixa de Truvada por mês (eficácia de 93%) ou em períodos sem interrupção da PrEP (eficácia de 86%).

Por outro lado, a eficácia da PrEP é de apenas 18% nos casos de baixo consumo de Truvada.

Menos eficaz para pessoas de baixa renda

Comparados aos homens que continuaram seronegativos, os infectados pelo HIV durante acompanhamento tinham usado com menor frequência a PrEP (29% contra 49%). Os que seguiram o tratamento tomaram menores quantidades de Truvada, ou seja, menos de uma caixa de 30 comprimidos a cada dois meses (78% contra 40%) e ou com interrupções prolongadas (de ao menos três meses) do tratamento (74% contra 40%).

O estudo também observou que a eficácia da profilaxia parece cair nos homens com menos de 30 anos e em beneficiários do Seguro Social Universal Complementar francês, destinado a pessoas de baixa renda. Entre esses indivíduos, o consumo de Truvada é fraco e as interrupções da PrEP mais frequentes.

“O aumento dos esforços visando melhorar o respeito da PrEP é essencial para garantir sua eficácia, particularmente nos jovens e pessoas carentes”, disse à AFP Rosemary Dray-Spira, diretriz adjunta do EPI-PHARE.

(Com informações da AFP)

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