Novo golpe de homem que já foi preso por enganar mulheres é investigado em Niterói

Lívia Neder
·3 minuto de leitura

NITERÓI — Preso em 2015 após aplicar golpes em pelo menos 37 mulheres que conhecia nas redes sociais se apresentando como cirurgião plástico, Paulo César Dantas da Mota, de 52 anos, está sendo investigado pela Polícia Civil por novo golpe denunciado por uma moradora de Icaraí. Solto e de volta aos sites de relacionamento, ele se apresenta agora como diretor de uma empresa americana de seguros com sede no Brasil, usando sobrenome falso.

Assim como nas antigas denúncias, Mota, que sequer tem curso superior, continua mirando em mulheres das classes média e alta e usando cartões de créditos das vítimas sem consentimento.

Segundo a vítima que denunciou o golpe mais recente à polícia, do namoro virtual aos encontros presenciais foram três semanas de muitas conversas pela internet. Moradora de Icaraí, a mulher de 56 anos, que prefere não se identificar, conta que Mota conseguiu enganar toda a sua família e embolsou mais de R$ 15 mil em golpes. Após seguir algumas pistas, ela chegou ao nome verdadeiro do golpista e, no dia 16 de abril, encontrou, além de reportagens sobre crimes anteriores, relatos de novos golpes na internet. Ao todo, foram três meses de relacionamento.

— Ele contava muitas histórias para justificar o pouco tempo para vir a Niterói. Dizia que trabalhava muito, que a mãe estava internada no Hospital São Vicente, na Gávea, e que a irmã teve Covid e foi internada no Sírio Libanês, em São Paulo. Ele convenceu minha mãe a mudar nosso plano de saúde e nessa migração, que não aconteceu, pois assinamos um contrato no qual ele não deu entrada, levou R$ 8 mil — narra a vítima, que por pouco não perdeu o plano de saúde anterior. —Na semana passada, paguei dois meses que estavam atrasados, enquanto esperava a carteirinha do novo plano que nunca chegaria.

Cartão roubado

Mota dizia que morava na Barra da Tijuca e tinha como hobby o mergulho, viajando sempre para Angra dos Reis, Búzios e Arraial do Cabo.

— Na história da mãe internada, ele me levou mais de R$ 5 mil, alegando que estava com problema no cartão e precisava pagar um exame. Um dia ele sugeriu que eu cancelasse as mensagens de SMS da operadora do meu cartão, dizendo que era para evitar golpes. Cancelei e pedi um novo cartão. Chegaram dois, mas não percebi. Ele furtou um e só notei quando veio a fatura de mais de R$ 2 mil. Em um fim de semana, ele foi a restaurantes na Barra e em Jurujuba — conta a vítima.

Quando teve certeza de que se tratava de um golpista, a vítima armou um encontro e acionou a polícia. Levado à delegacia, ele foi autuado e liberado:

— Alegaram que não tinha flagrante. Além das conversas e do cartão que estava com ele, estou conseguindo mais provas. É importante que outras vítimas o denunciem.

Questionada sobre o andamento das investigação e os motivos de o suspeito não ter sido preso, a Polícia Civil informou que a 77ª DP (Icaraí) instaurou inquérito para apurar o caso.

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