Novo governo Tsipras toma posse na Grécia

Por John HADOULIS
O premier Alexis Tsipras, na cerimônia de juramento

O novo governo da Grécia, liderado por Alexis Tsipras, prestou juramento nesta quarta-feira e terá como primeira missão aplicar o plano de reformas acordado com os credores internacionais, em troca de uma ajuda de 86 bilhões de euros.

Logo depois da cerimônia, Tsipras viajou para Bruxelas para participar na reunião de cúpula europeia sobre os refugiados.

Na terça-feira, a União Europeia (UE) aprovou por maioria um acordo sobre a distribuição de 120.000 refugiados entre seus países.

A Grécia é, ao lado da Itália, o principal ponto de entrada de refugiados, em sua maioria sírios, no território da UE.

O país recebeu desde o início do ano 300.000 refugiados e no domingo Tsipras, 41 anos, pediu à UE uma "responsabilidade compartilhada" na gestão da crise.

Em linhas gerais, novo governo é uma cópia quase exata do Executivo anterior que Tsipras liderava até sua renúncia em 20 agosto, quando os nomes mais radicais de seu partido, Syriza, começaram a questionar seus projetos legislativos e políticos, em especial a assinatura do terceiro plano de resgate em 13 de julho.

Após as eleições de domingo passado, os ministros tomaram posse na sede da presidência da República, mas em dois grupos.

O primeiro grupo prestou juramento sobre a Bíblia, diante de autoridades religiosas ortodoxas, e o segundo, o mais importante, prestou um juramento civil ao presidente da República, Prokopis Pavlopoulos.

Muitos ministros do gabinete anterior estão de volta, em particular o titular da pasta das Finanças, Euclide Tsakalotos, um economista pró-Europa e grande nome por trás do novo programa financeiro.

Tsakalotos estará acompanhado por Yorgos Chouliarakis como vice-ministro das Finanças. Este último foi um dos principais negociadores da Grécia em Bruxelas para alcançar o acordo com UE e o FMI em julho.

O ministério da Defesa será comandado mais uma vez por Panos Kammenos, presidente do Partido dos Gregos Independentes (direita soberanista), que contribui para a coalizão de governo com 10 deputados, somados aos 145 do partido Syriza (esquerda) de Tsipras, o que garante a maioria absoluta no Parlamento.

Tsipras manifestou a firme determinação de aplicar o acordo em todos os seus termos, com a esperança de abrir negociações em novembro com os credores, UE e Fundo Monetário Internacional (FMI), para reduzir a dívida externa da Grécia, que alcança 170% do PIB.

"A prioridade é concluir com as obrigações do acordo, das quais 60% já foram cumpridas", resumiu o Chouliarakis.

O vice-ministro das Finanças espera que a "questão da dívida seja abordada ao fim da primeira análise" do cumprimento do acordo assinado com os credores.

Tsipras formou um "governo equilibrado", mas premiando os que permaneceram a seu lado nos momentos mais difíceis, destaca o jornal liberal Kathimérini.