Secretaria estadual de Educação determina que servidores da sua sede, com risco estrutural, trabalhem em home office

Diante de riscos do prédio da Secretaria de Estado de Educação (Seeduc) apontados em laudos das Defesas Civil estadual e municipal, a pasta determinou que todos os funcionários da sede, no Santo Cristo, passem a trabalhar em home office "até que a situação seja resolvida". Em nota, a secretaria afirma que a medida, válida desde a quinta-feira passada, pretende "preservar a integridade física e emocional dos seus servidores e colaboradores". A Seeduc informou ainda que, após vistorias feitas tanto pela Defesa Civil do Estado quanto pela Defesa Civil da prefeitura, houve a interdição parcial de salas de uma das colunas do prédio.

Um vistoria da Defesa Civil do Estado (Sedec) na sede da Educação, na Avenida Professor Pereira Reis, no Santo Cristo, constatou risco iminente do prédio e necessidade de interdição.

O órgão afirma que a inspeção, a pedido da pasta da Educação, foi realizada no dia 20 de dezembro de 2022. A Sedec informou ainda que encaminhou à Defesa Civil do Município do Rio de Janeiro, órgão responsável por vistoria emergencial e parecer técnico, a recomendação de esvaziamento do edifício. Já a Defesa Civil municipal diz que vistoriou o edifício no dia 22, promovendo a sua interdição parcial e levando o caso para a Empresa de Obras Públicas do Estado (Emop) e Seeduc para as providências necessárias.

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Como já mostrou o GLOBO, no início do mês passado a Defesa Civil do Estado fez uma visita ao endereço, observando "rachaduras nos elementos de alvenaria naturalmente causados pelo rebaixamento do lençol freático", causando o "recalque da infraestrutura de parte do prédio". No entanto, na época, o órgão, não concluiu por risco iminente e necessidade de interdição, sugerindo apenas intervenção imediata.

Antes disso, um parecer técnico do núcleo de engenharia da própria Seeduc atestou riscos estruturais e recomendou a desocupação da sede da da secretaria, levando medo aos funcionários que trabalham no local. Ao analisar o documento e as fotos anexas, o engenheiro Antonio Eulalio Pedrosa Araujo, especialista em estruturas e conselheiro do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea), também considerou fundamental esvaziar o prédio e interditar o entorno. O então secretário estadual de Educação, Alexandre Valle, acionou a Defesa Civil, mas garantiu que não havia risco de desabamento, determinando a contratação emergencial de um laudo, que indicará as obras de reforço a serem realizadas.

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“O monitoramento de deslocamentos, embora fundamental, não assegura que não venha a ocorrer uma aceleração brusca dos deslocamentos, com perda de estabilidade da edificação”, concluiu a engenheira Raquel Gabriela Alves Campos, com mestrado em estrutura pela Coppe/UFRJ, em seu parecer, assinado em 26 de outubro. Raquel trabalha no núcleo de engenheiros da Seeduc e fez a análise a pedido de Valle, que identificou rachaduras no edifício.

Na tarde desta quarta-feira, o assunto é discutido em reunião na Seeduc. Ainda não há posição oficial da pasta agora comandada pela secretária Patrícia Reis, sobre o esvaziamento do prédio.