Novo lockdown deixa 200 mil trabalhadores em fábrica da iPhone na China em condições precárias

Trabalhadores da Apple estão deixando a maior fábrica de iPhones do mundo,em Zhengzhou, na China, para tentar escapar das medidas para contenção de um surto de Covid na planta, decretada às pressas pelo governo local. As medidas deixaram muitos dos 200 mil funcionários da gigante americana em condições de precárias.

Lucro gigante: Receita da Apple cresce no trimestre, mas vendas do iPhone ficam abaixo do esperado

Sindicalização avança: Greve em lojas da Apple na Austrália acende alerta para os Estados Unidos

Pelo menos em seis condados e cidades na província de Henan pediram aos trabalhadores que acabaram de sair da fábrica da Foxconn para entrar em contato com as autoridades locais antes de ir para casa.

Segundo postagens oficiais no WeChat, os trabalhadores serão enviados para isolamento. Cidades como Mengzhou e Luoyang providenciaram ônibus para transportá-los. O governo do condado de Dagang, além de ônibus, enviou servidores para ajudar no encaminhamento dos funcionários da fábrica aos locais de quarentena em que farão sete dias de isolamento compulsório.

A Foxconn emitiu três avisos a seus trabalhadores da unidade de Zhengzhou, prometendo garantir segurança, direitos legítimos e renda de acordo com uma postagem publicada pelo governo da cidade de Zhengzhou neste domingo no WeChat .

Veja as novidades: Apple lança novas linhas de relógios no Brasil com preços entre R$ 3,3 mil e R$ 10,3 mil.

A empresa teria providenciado, em conjunto com o governo local, ônibus para os funcionários que optaram por voltar para casa. No entanto, não está claro quantos trabalhadores tiveram autorização de deixar a fábrica.

A Foxconn disse em comunicado à Bloomberg, que coordena com outras fábricas para reduzir o impacto do fechamento da unidade em Zhengzhou.

Pão e macarrão instantâneo

Vídeos e fotos de funcionários saindo do campus inundaram as redes sociais no fim de semana, retratando moradores oferecendo comida e abrigo para alguns dos funcionários. A Bloomberg diz, no entanto, não ter verificado a autenticidade do conteúdo.

As tensões na fábrica de Zhengzhou ressaltam o impacto econômico e custos sociais da política de Covid Zero de Xi Jinping, que consiste num sistema de testes em massa, bloqueios e quarentena, o que implica em risco potencial de cadeias de suprimentos globais e produtos.

Aposta: 5G vai impulsionar US$ 25 bilhões em investimentos no Brasil até 2025

O descontentamento é crescente entre os funcionários da principal fábrica da Foxconn, em Zhengzhou, que estão isolados desde o surgimento de casos de Covid. A comida tornou-se uma fonte de inquietação depois da empresa taiwanesa - que fabrica a maioria dos iPhones vendidos no mundo - fechou cafeterias na fábrica conhecida como “Cidade do iPhone.”

Nas linhas de produção, os trabalhadores receberam caixas de refeição, fornecidas pela empresa, com alimentação mais básica como pão e macarrão instantâneo, informou a Bloomberg News.

A política de Covid zero chinesa permite que as empresas permaneçam operacionais durante os bloqueios, mas cobram seu preço sobre os trabalhadores, cujos movimentos são severamente limitados, com alguns até obrigados a dormir no chão da fábrica.

Sob nova direção: Musk planeja iniciar cortes de empregos no Twitter em poucos dias, diz NYT

A Tesla Inc. usou o expediente para retomar a produção durante o bloqueio inquieto de Xangai este ano.

Em maio, centenas de trabalhadores entraram em confronto com seguranças na fábrica da Quanta Computer Inc. em Xangai depois que eles foram impedido por meses de contato com o mundo exterior.

Apple e Foxxcon ainda não responderam o pedido de comentário da Bloomberg.