Novo medicamento para Alzheimer reduz os níveis de duas proteínas associadas à doença

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O Aduhelm, medicamento para Alzheimer aprovado este ano pela Food and Drug Administration (FDA), agência que regula medicamentos nos Estados Unidos, além de reduzir o nível de proteína beta-amiloide no cérebro de pacientes com a doença, também diminui o acúmulo da proteína tau. As informações foram apresentadas essa semana pela Biogen, empresa de biotecnologia americana, e pela farmacêutica japonesa Eisai, fabricantes do medicamento, na conferência de Ensaios Clínicos sobre a Doença de Alzheimer, realizada em Boston, nos EUA.

Resultados de dois estudos clínicos fase III com 1.800 pacientes mostraram que o Aduhelm reduziu significativamente os níveis sanguíneos de um tipo anormal da proteína tau, que forma os emaranhados tóxicos de fibras nervosas associadas à doença devastadora da mente. Isso foi correlacionado a um menor declínio cognitivo e funcional nos pacientes com a doença e com uma redução da placa beta-amiloide. O efeito foi maior com doses mais altas e maior duração do tratamento.

Em um dos estudos, os níveis de tau em pacientes com Alzheimer inicial que receberam a dose mais alta de Aduhelm caíram 13%, em comparação com um aumento de 8% nos pacientes que receberam o placebo. No segundo teste, os pacientes com altas doses do medicamento apresentaram uma redução de 16% no nível de tau, enquanto no grupo placebo houve um aumento de 9%.

"Esses dados não apenas mostram uma ligação importante entre a capacidade do Aduhelm de limpar a placa beta-amiloide e reduzir os níveis plasmáticos de p-tau, mas também correlacionar significativamente essas reduções com a desaceleração do declínio cognitivo", disse Oskar Hansson, professor de neurologia na Universidade Lund e no Hospital Universitário Skåne, ambos Suécia, que liderou a apresentação dos dados na conferência, em comunicado.

O efeito do medicamento na redução da placa beta-amiloide já era conhecido. Inclusive, isso foi o que levou à aprovação do novo tratamento. Mas seu benefício em outro marcador importante da doença, a proteína tau, é uma novidade. Muitos dos tratamentos em desenvolvimento atualmente têm como objetivo atuar na redução do nível dessas duas proteínas no cérebro. Ambas são consideradas responsáveis pelos efeitos devastadores da doença e começam a se acumular silenciosamente no cérebro anos antes do aparecimento dos sintomas da doença.

"Agora temos dados robustos e concordantes de que o Aduhelm tem efeito em duas patologias definidoras centrais da doença de Alzheimer", disse Alfred Sandrock, chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Biogen, em comunicado.

Como funciona o medicamento

O Aduhelm tem como princípio ativo o aducanumabe, um anticorpo monoclonal. Essa classe de substância, que imita o funcionamento das células de defesa do organismo humano, já é utilizada com sucesso no tratamento de câncer e da Covid-19. A terapia é indicada para pacientes no início da doença e consiste em uma infusão mensal. O objetivo é agir no início do problema e retardar ou até mesmo impedir a progressão da doença.

Aprovação polêmica

Até a aprovação do Aduhelm, exisitiam apenas quatro remédios disponíveis para o tratamento do Alzheimer e nenjum deles com ação na origem do problema. Sua atuação se limita ao controle dos sintomas. Por isso, o surgimento de um tratamento com potencial para agir na causa da doença foi comemorada. Entretanto, sua autorização nos Estados Unidos não foi livre de polêmica de controvérsia.

O painel de especialistas externos, que orienta a agência americana em suas decisões, foi contra a aprovação do medicamento, por falta de estudos que comprovem sua eficácia. Segundo eles, as evidências mostravam o efeito do medicamento na redução das placas cerebrais, mas não no retardo da progressão da doença. A FDA não é obrigada a seguir a recomendação do painel, mas geralmente o faz. No caso do Aduhelm, a agência foi contra e aprovou o tratamento mesmo sem o aval de seus consultores.

A decisão foi comemorada por pacientes, familiares e organizações de pacientes, mas criticada por especialistas. O medicamento já está liberado para uso nos EUA, mas muitos médicos ainda relutam em prescrevê-lo. A controvérsia levou a FDA a abrir uma investigação para apurar o processo que levou à aprovação do medicamento. Por isso, apesar da aprovação, as empresas continuam a realizar testes clínicos para comprar a eficácia do tratamento.

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