Novo ministro da Casa Civil, Rui Costa diz que governo não sabe quantas obras estão paralisadas no país: 'Demonstração do caos'

O ex-governador da Bahia Rui Costa tomou posse na manhã desta segunda-feira como ministro da Casa Civil e afirmou que a nova administração federal não sabe quantas obras estão paralisadas no Brasil hoje. Ele afirmou que a ausência de informações estratégicas como essa são a "demonstração do caos" que precisará ser corrigido. Principal ministério do Palácio do Planalto, a Casa Civil vai gerenciar os projetos e programas das demais pastas da máquina federal.

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— As prioridades iniciais serão de retomada do Brasil, sair desse momento de paralisia completa. Nem mesmo sabemos quantas obras do Brasil estão paralisadas, nem o próprio ministro de cada pasta consegue precisar. Isso é a demonstração do caos que estamos recebendo. Inclusive obras foram deletadas do arquivo como se concluídas estivessem. Agora, isso é problema nosso e vamos resolver — comprometeu-se Costa durante cerimônia de posse.

À frente da Casa Civil, a expectativa é que Rui Costa coordene a execução de políticas públicas de infraestrutura, como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Aliados enxergam no ex-governador o perfil semelhante ao que Dilma Rousseff desempenhou ao longo do segundo governo Lula, quando ficou conhecida como "mãe do PAC".

O ministro afirmou que irá buscar diálogo com os governadores e a sociedade. Ele pretende estabelecer um novo pacto federativo com os gestores estaduais.

— Sentaremos com as bancadas, com os ministros e vamos buscar intensificar com ministro Alexandre Padilha (Relações Institucionais) um pacto federativo discutido com os governadores. Ainda em janeiro, o presidente quer reunir os governadores para que possamos definir pautas. Não teremos uma governança de imposição — afirmou.

A exemplo do que disse Lula em sua posse, Costa defendeu ainda a união do Brasil, que saiu dividido do processo eleitoral deste ano:

— Unir o Brasil, unir os diferentes, não significa anular as ideias diferentes. Unir significa intensificar debate, buscar sínteses e consensos. Nossa equipe fará o melhor.

Governador da Bahia por dois mandatos, Costa foi considerado um “tocador de obra".

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— Lá (na Bahia) ele trabalhava até de madrugada. Aqui, ele vai trabalhar de madrugada, inclusive sábado e domingo — afirmou o senador Jaques Wagner (PT-BA), aliado de Costa e fiador de sua indicação à Casa Civil.

Nascido em Salvador, o economista é filiado ao PT desde 1982 e foi eleito vereador em 2004. Durante o primeiro governo de Jaques Wagner na Bahia, assumiu a Secretaria de Relações Institucionais em 2007. Foi eleito deputado federal em 2010. Dois anos depois, licenciou-se para assumir o comando da Casa Civil no segundo mandato de Wagner. O cargo o cacifou para disputar o governo do Estado em 2014. Quatro anos depois, foi reeleito em primeiro turno com 76% dos votos.