Novo ministro da Justiça defende 'autonomia' da Polícia Federal e diz que Bolsonaro deve cobrar mais operações da corporação

Marco Grillo, Gustavo Maia e Daniel Gullino
Novo ministro da Justiça, André Mendonça ( no meio), ao lado dos ministros Gilmar Mendes (esquerda) e do presidente do STF, Dias Toffoli

O ministro da Justiça e Segurança Pública, André Mendonça, afirmou nesta quarta-feira que o presidente Jair Bolsonaro deve cobrar dele uma atuação mais expressiva da Polícia Federal (PF) durante a sua gestão. Em discurso durante a cerimônia de posse, Mendonça também defendeu a necessidade de dar “princípios de autonomia e independência” para a corporação.

Mendonça foi nomeado para o cargo depois que o ex-ministro Sergio Moro pediu demissão, acusando Bolsonaro de tentar uma interferência política na corporação por meio da troca do diretor-geral. Moro anunciou que deixaria a função horas depois de a exoneração de Maurício Valeixo da direção-geral da Polícia Federal.

– Cobre de nós mais operações da Polícia Federal, presidente da República – disse Mendonça, que acrescentou em outro momento. – Temos que reconhecer o valor dos agentes de segurança, dando princípios, e aqui não só à Polícia Federal, de autonomia, independência, técnica, responsabilidade, prestação de contas, integridade, transparência e controle.

O ministro afirmou que terá um “compromisso de combate irrestrito à criminalidade” e citou a importância de uma atuação integrada com estados e municípios:

– Lutarei com todos os meus esforços no combate ao crime organizado, não só contra corrupção, mas contra tráfico de drogas, armas, crimes contra a vida, patrimônio, abuso sexual e contra criança, adolescente e mulher.

Mendonça fez ainda um agradecimento direcionado ao ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Jorge Oliveira, que estava cotado para assumir a Justiça. Segundo ele, o colega de ministério tem sido um “um exemplo de integridade e sobriedade” e já “abriu mão de oportunidades” para “melhor servir ao Brasil” – Oliveira foi aplaudido de pé pelas autoridades presentes nesse momento.

A posse de Alexandre Ramagem na direção-geral da Polícia Federal estava prevista para a mesma solenidade, mas a nomeação foi barrada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal – em seguida, o governo revogou a nomeação. O presidente da Corte, Dias Toffoli, e o ministro Gilmar Mendes compareceram à cerimônia de posse de Mendonça no Palácio do Planalto.
 

Após a publicação extra do Diário Oficial da União, a Presidência atualizou a agenda oficial de Bolsonaro, retirando o nome de Ramagem da solenidade de posse. A Advocacia-Geral da União (AGU) informou que não vai recorrer da decisão.

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