Novo ministro da Secom defende debate sobre papel da EBC e diz que jornalistas terão toda liberdade

Ao tomar posse como ministro da Secretaria de Comunicação Social na tarde desta terça-feira, Paulo Pimenta disse que os jornalistas terão toda a liberdade para atuar no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele também anunciou que irá promover um debate para discutir o papel da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

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Pimenta ainda criticou o governo do presidente Jair Bolsonaro por ter suspendido a veiculação de campanhas de prevenção ao HIV e por não ter sido transparente.

Como já havia acontecido em posses de ministros na segunda-feira, a ex-presidente Dilma Rousseff esteve presente e foi saudada com entusiasmo pela plateia quando foi anunciada. Pimenta disse que Dilma foi vítima de uma “injustiça histórica” por causa do impeachment de 2016.

A maioria das autoridades presentes na cerimônia, realizada no salão nobre do Palácio do Planalto, eram petistas.

Em seu discurso, Pimenta defendeu a liberdade de imprensa e a necessidade de reconstrução de pontes com os meios de comunicação.

— No governo do presidente Lula, os jornalistas terão toda a liberdade para exercer a sua atividade — disse o novo ministro.

Pimenta ainda prometeu “combate permanente às fake news”. Ele disse também que o novo governo será marcado por total “transparência” de seus atos.

— Não vamos manter essa lógica de sonegação das informações.

Em referência à gestão de Bolsonaro, ainda afirmou:

— Nos últimos anos, ergueram muros e cercadinhos na relação do povo com o governo.

Sobre a EBC, o novo ministro afirmou que irá procurar a partir de amanhã funcionários da empresa e representantes da sociedade.

— Quero me dedicar a fazer um amplo debate sobre o tema da EBC. Queremos oferecer para o país uma proposta de nova EBC.

Deputado federal pelo PT desde 2003, Pimenta é formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Maria. O novo secretário de comunicação revelou no passado posições críticas à imprensa. Em discurso na Câmara em novembro, Paulo Pimenta criticou o governo de Jair Bolsonaro e afirmou que a imprensa era cúmplice do presidente.

Paulo Pimenta foi líder do PT na Câmara de 2018 a 2020. Durante sua atuação parlamentar, uma das iniciativas do deputado foi a apresentação de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) para restabelecer a exigência de diploma de jornalista para exercer a profissão. A obrigatoriedade do diploma de jornalista foi derrubada por uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Na época, o deputado argumentou que era preciso formação técnica para exercer a profissão.

Deputado mais votado do PT do Rio Grande do Sul nas últimas quatro eleições, Paulo Pimenta coordenou a campanha do presidente Lula no estado. O deputado faz parte da ala mais à esquerda do partido.