Novo normal em Niterói: seis dicas para voltar a correr com segurança e evitar lesões

Giovanni Mourão
Calçadão de Icaraí: pessoas correm de máscara de proteção

NITERÓI — Com o afrouxamento das regras de combate à pandemia do novo coronavírus que possibilitou o retorno das atividades esportivas individuais nos calçadões e nas areias das praias da cidade, os amantes de exercícios físicos voltaram a ocupar esses espaços. Especialista em joelho e em medicina do esporte, o ortopedista Sérgio Maurício recomenda cautela no retorno aos treinos e alerta para os cuidados redobrados que praticantes de caminhada e corrida devem ter depois de passarem tanto tempo parados.

Corredor amador e especialista, o médico, morador da cidade, foi procurado pelo GLOBO-Niterói para dar dicas para um retorno seguro e saudável à atividade. Sérgio Maurício alerta para o perigo da substituição abrupta de uma prática esportiva por outra.

Nas primeiras três semanas de isolamento social, aumentou o número de atendimentos a pacientes com dor no tendão de aquiles. São pessoas que, por não poderem correr, passaram a praticar exercícios aos quais não estavam acostumadas, explica:

— Teve gente que passou a pular corda para substituir a corrida, mas é preciso entender que a mecânica dessas atividades é diferente: a corrida é uma sequência de saltos em uma perna só, enquanto o exercício com a corda não exige que se toque o calcanhar no chão, deixando ele sobrecarregado. Em vez de iniciarem uma nova atividade de forma progressiva, as pessoas tentaram executá-la na mesma intensidade a que estavam acostumadas, só que para um exercício diferente. Outro exemplo vem de pacientes que tentaram substituir a corrida por subir e descer escadas: desses, recebi muitas reclamações de dores nos joelhos e na panturrilha — conta o médico, que atende em Icaraí.

Agora, com a permissão da prática de exercícios individuais nos calçadões e nas praias da cidade, o especialista dá seis dicas para voltar a correr com segurança, evitando lesões decorrentes do tempo parado e à eventual perda de massa muscular.

Devagar e sempre

Diminuir a intensidade dos treinos nessa volta, sobretudo para quem ficou totalmente parado, pode significar a recuperação de condicionamento físico com mais rapidez sem se expor a lesões.

— Quem estava acostumado a correr de 12km por hora, pode passar a correr a 10km por hora. Quem corria 10km por dia, pode reduzir para 7km ou 8km... A pessoa precisa respeitar sua percepção individual de esforço.

É importante também manter a constância do treinamento:

— Se alguém decide correr apenas uma vez por semana, ele será sempre um iniciante, mesmo se aplicar uma intensidade alta. Isso acontece porque não há tempo suficiente para que sejam geradas as adaptações ósseas, musculares e articulares de que o corpo precisa para aquele exercício.

Tênis confortável

Independentemente do tênis que usa, o praticante de exercícios físicos deve prezar sempre pelo conforto e bem-estar, preservando suas particularidades físicas. Não é preciso comprar um tênis novo, mas sim usar o que já está acostumado:

— Cada corpo é um corpo. Existem vários tênis de corrida com tecnologias diferentes para os três tipos de pisada: a pronada, a neutra e a supinada. O atleta precisa escolher o tênis mais confortável e que se adapte melhor ao seu treino. Nem sempre o que é bom para um é bom para o outro e nem sempre o tênis mais caro e mais tecnológico é o que se adapta melhor ao seu pé.

Máscara de proteção

Com a obrigatoriedade do uso de máscaras de proteção durante as atividades ao ar livre em Niterói, Sérgio Maurício recomenda que se reduza a intensidade da corrida ou caminhada para que a sensação de esforço seja similar à sentida antes da pandemia:

— Devido à constante troca de gases durante a corrida ou caminhada, a máscara de proteção acaba fazendo a pessoa inspirar um ar muito rico em gás carbônico. O esforço respiratório também aumenta, gerando cansaço mais rápido. Apesar de não haver comprovação científica, a máscara de TNT tende a acumular menos umidade, sendo a mais recomendável para a prática de esporte. Se o coronavírus segue a mesma lógica de todas as outras infecções respiratórias, a chance de infecção em ambientes abertos é muito díficil.

O médico alerta que, por mais que seja incômoda, a máscara é imprescindível e o seu uso é determinado por lei:

— Eu mesmo me sinto profundamente desrespeitado quando estou correndo num calçadão e vejo pessoas sem máscara. Essas pessoas precisam saber que estão dando um péssimo exemplo.

Só ou acompanhado?

É quase unânime a opinião de que correr acompanhado é melhor do que sozinho. O especialista afirma que, se respeitadas as regras de distanciamento, não é necessário abandonar seu colega de treino:— Todos podem continuar indo correr com um amigo ou um familiar. Mas o ideal é que se corra lado a lado, respeitando a distância de dois metros. Recomendo também que as pessoas passem a correr nos horários em que esses ambientes estão mais vazios, evitando o contato próximo com outras pessoas.

Evite aglomeração

Mudar o percurso rotineiro dos treinos também é uma boa ideia para os praticantes de exercícios que desejam voltar a correr com responsabilidade.

— A pessoa que sempre correu no calçadão de Icaraí, por exemplo, pode passar a correr em locais como as praias de São Francisco e Charitas, que são menos movimentadas. É hora de bucar outros ambientes pelo interior dos bairros: não precisamos ir sempre na intuição de seguir pela praia. Para quem tem condicionamento físico adequado, correr na areia pode ser uma alternativa também.

Alimentação saudável

Nessa retomada, manter uma alimentação saudável e equilibrada também é ideal para evitar inflamações e lesões.

— Alimentos muito ricos em açúcares e em gorduras ruins são inflamatórios. E isso é totalmente condizente com o momento que estamos vivendo: os obesos fazem parte do grupo de risco para a Covid-19 justamente porque eles já são permanentemente "inflamados". Não há problema quando o atleta dá uma escapadinha para comer besteira, mas sim quando isso vira regra.

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