Novo parque ecológico tem visitas guiadas para observar o mico-leão-dourado

O que antes era um pasto coberto de capim foi substituído por cedros, jacarandás, palmito-juçara e mais outras 97 espécies de árvores nativas de Mata Atlântica. Uma antiga fazenda em Silva Jardim, em pouco menos de cinco anos do replantio de mais de 180 mil mudas, viu nascer de novo a biodiversidade de uma floresta inteira. À sombra dessas árvores brotou vida: elas são lar e abrigo para moradores como a preguiça-de-coleira, o cachorro-do-mato e o carismático mico-leão-dourado, que dá nome ao novo parque ecológico inaugurado em junho, com visitas guiadas para quem quiser se maravilhar de perto com as belezas nativas do Rio.

Os pingos que caíam das copas das árvores não intimidaram os dois grupos de visitantes da última quinta-feira durante o passeio à Trilha do Mico. Andando pela terra molhada no meio da mata, o pequeno paulista Pedro Maluf Serrano, de 9 anos, se aventurava ansioso para ver os animais. Com ajuda de um GPS e uma antena, o assistente de pesquisa Ademilson de Oliveira, de 46, procura os micos. A técnica utilizada é radiotelemetria, em que uma antena direcional emite um som de bipe quando os animais, que utilizam um colar, estão próximos. Muita expectativa, até que uma penugem laranja vibrante é avistada entre as folhas.

— Olha lá! Eu acho que ele está comendo uma mosca, deve ser o prato principal — exclama Pedro, excitado com o primeiro mico-leão-dourado avistado no passeio.

E ele está certo: os micos se alimentam de pequenos insetos e invertebrados, frutas em geral, néctar, ovos. Comidas que eles encontram sozinhos, pois é proibido aos visitantes alimentar os bichos. Foi em um trabalho escolar de Pedro sobre o mico-leão-dourado que a família descobriu a associação que gerencia o parque.

— A gente planejou a viagem de férias ao Rio só para fazer esse passeio. Depois que pesquisamos outras coisas para fazer. A gente gosta desse tipo de viagem, principalmente valorizando o que é do Brasil — disse Maria Paula Maluf, de 44 anos, mãe de Pedro e Helena, de 14.

A Trilha do Mico fica na Fazenda Afetiva, que pertence a um parceiro da Associação Mico-Leão-Dourado e está localizada a 26 quilômetros do parque. Em espaço de 20 hectares, vivem quatro grupos de micos-leões-dourados, em um total de 26 indivíduos.

A fazenda foi comprada em 2017 com apoio da ONG DOB Ecology e hoje conta com patrocínio de entidades internacionais, uma delas uma iniciativa da Disney em prol do meio ambiente. No parque, ainda não há visitação guiada para porque a área é maior (são 90 hectares) e moram duas famílias de mico, totalizando 11 indivíduos.

A repovoação dos animais dos animais é uma aposta da equipe da associação, que tem trabalhado no plantio de mudas também no viaduto vegetado, uma ponte feita de plantas, galhos e pequenas árvores entre o Parque do Mico-Leão-Dourado e a Reserva Biológica de Poço das Antas, que fica na região. O objetivo da estrutura, única em rodovias no Brasil, é conectar as florestas e facilitar a passagem dos animais, evitando atropelamentos e rompendo o bloqueio que a rodovia BR-101 representa para a livre circulação dos bichos.

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