Novo presidente do Peru nomeia gabinete chefiado por advogada feminista

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O presidente peruano, Francisco Sagasti (D), saúda a presidente do Congresso, Mirtha Vásquez, após receber a faixa presidencial durante sua cerimômia de posse, em Lima, 17 de novembro de 2020
O presidente peruano, Francisco Sagasti (D), saúda a presidente do Congresso, Mirtha Vásquez, após receber a faixa presidencial durante sua cerimômia de posse, em Lima, 17 de novembro de 2020

O recém-empossado presidente do Peru, Francisco Sagasti, nomeou nesta quarta-feira (18) os ministros de seu gabinete, que será chefiado por uma advogada feminista e que inclui dois ex-colaboradores do deposto Martín Vizcarra e a primeira mulher titular da Defesa.

A nova chefe de gabinete é a advogada Violeta Bermúdez, de 59 anos, especialista em temas constitucionais e de gênero. Há oito mulheres no novo gabinete, algumas delas feministas conhecidas em um país de tradição machista.

Sagasti assumiu o poder na terça-feira, com o desafio de pôr fim à pior crise política em duas décadas no país andino, marcada pela passagem de três presidentes no período de oito dias.

Foi nomeado para o ministério de Economia e Finanças Waldo Mendoza, economista de esquerda que foi vice-ministro da Fazenda do ex-presidente Alejandro Toledo (2001-2006) e zeloso da prudência fiscal.

Para chefiar a diplomacia foi nomeada Esther Astete, que era embaixadora no México, enquanto o ministério do Interior será comandado por Rubén Vargas, que havia sido vice-ministro de Segurança do governo de Ollanta Humala (2011-2016) e ex-chefe antidrogas de Vizcarra (2018-2020).

Na pasta da Saúde foi mantida Pilar Mazzetti, médica especialista em saúde pública. Ela ocupava o mesmo cargo até nove dias atrás no governo de Vizcarra, razão pela qual há meses é a encarregada dos esforços para conter a pandemia de covid-19, que contagiou mais de 930.000 peruanos e matou 35.000.

Para comandar a Cultura foi escolhido Alejandro Neyra, advogado, escritor e diplomata, que também chefiava a pasta no governo Vizcarra e que antes ocupou o mesmo cargo no governo de Pedro Pablo Kuczynski (2016-2018).

Para a Defesa foi nomeada pela primeira vez uma mulher no Peru: Nuria Esparch, uma advogada que foi vice-ministra da pasta no segundo mandato de Alan García (2006-2011).

Entre 2014 e 2018, foi gerente de relações institucionais da empreiteira Graña y Montero, envolvida no escândalo de corrupção da brasileira Odebrecht.

A chefe de gabinete e os ministros deverão se apresentar no Congresso para receber um voto de confiança para dar início formalmente às suas funções.

Violeta Bermúdez foi, em meados da década de 1980, a advogada da então primeira-dama Susana Higuchi, quando ela denunciou um sequestro e torturas de seu marido, o presidente Alberto Fujimori (1990-2000).

Seguindo a tradição peruana, vários ministros prestaram juramento aos seus cargos "por Deus e estes Santos Evangelhos", ajoelhados em frente a um crucifixo e uma bíblia, embora alguns o tenham feito pela "Pátria e a Constituição".

A diferença foi marcada pela ministra da Habitação, Solangel Fernández, que jurou "por Deus, pela Pátria e pelos irmãos que defenderam a democracia" nas manifestações contra Manuel Merino, que conduziram à sua renúncia cinco dias depois de ter assumido o poder, após a deposição de Vizcarra.

Dezoito ministros compõem o Executivo peruano, além da chefe de gabinete. Ainda não foi nomeado o novo titular de Minas e Energia, um cargo importante em um país rico em minérios como o Peru.

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