Novo protocolo sobre cloroquina foi motivado por 'clamor da sociedade', diz ministério

Leandro Prazeres, Paula Ferreira e Daniel Gullino
Cloroquina e hidroxicloroquina têm sido alçadas a solução para o coronavirus sem comprovação científica (GEORGE FREY/AFP via Getty Images)

O protocolo que ampliou a recomendação do uso da cloroquina para paciente com Covid-19 e que foi divulgado hoje pelo Ministério da Saúde foi fruto do "clamor da sociedade", disse a secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Mayra Pinheiro.

"A motivação da confecção dessa nota informativa dirigida à classe médica vem da necessidade de uma resposta à população. Já temos mais de 18 mil mortes no Brasil. Já temos mais de 327 mil mortes no mundo e há um clamor da sociedade que chega ao Ministério da Saúde", disse Mayra.

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O protocolo divulgado nesta quarta-feira recomenda que médicos possam prescrever medicamentos à base de cloroquina para pacientes em estágios iniciais da doença. Até então, o antigo protocolo do Ministério da Saúde sobre o assunto previa a utilização do medicamento apenas em pacientes graves ou críticos.

O novo protocolo foi divulgado após a queda de dois ministros da Saúde: Luiz Henrique Mandetta (DEM) e Nelson Teich. Os dois se opunham ao uso da cloroquina em pacientes com sintomas leves da doença, prática defendida pelo presidente Jair Bolsonaro.

Mayra Pinheiro disse que a nova recomendação do ministério vai possibilitar pacientes com menos poder aquisitivo a ter acesso ao acesso ao medicamento.

"Para brasileiros de uma determinada classe social, há o direito da prescrição desses medicamentos e para uma camada menos favorecida economicamente há uma limitação do acesso a essas medicações. O que nós queremos é tornar o princípio da equidade defendido pelo SUS uma realidade para todos os brasileiros", afirmou.

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A declaração da secretária faz menção ao parecer do Conselho Federal de Medicina (CFM) que já liberava médicos para prescreverem o medicamento para pacientes com sintomas leves da doença desde o paciente fosse comunicado e desse sua anuência. Defensores do uso da substância afirmavam que esse parecer, sem respaldo do ministério, fazia com que apenas pacientes com maior poder aquisitivo poderiam ter acesso ao medicamento. 

A cloroquina é utilizada no mundo para o combate a doenças como malária e lúpus, mas ainda não há consenso na comunidade científica sobre os seus benefícios no tratamento da Covid-19. Estudos recentes apontam que a cloroquina não se mostrou eficaz no combate aos sintomas da doença.

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