Novo reitor da Unicamp promete extinguir duplo salário na instituição

VENCESLAU BORLINA FILHO

CAMPINAS, SP (FOLHAPRESS) - O físico Marcelo Knobel, 48, eleito novo reitor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) para o quadriênio 2017-2021, toma posse do cargo nesta quarta-feira (19) com a promessa de extinguir, por um ato administrativo, a dupla matrícula de professores e funcionários. A cerimônia está marcada para as 18h, em Campinas.

A medida é uma das que serão tomadas para equilíbrio das contas da universidade. Estão previstos cortes de despesas, revisão de contratos, informatização e otimização dos processos administrativos. "A situação financeira da universidade é preocupante e bem difícil. Vamos buscar medidas para tentar equacioná-la", afirmou Knobel.

A dupla matrícula permite que servidores recebam dois salários –um em razão da nomeação via concurso e outro, cumulativo, por ocupar algum cargo específico. Atualmente, cerca de 60 pessoas estão nesta situação, a maioria com vencimentos que superam o teto constitucional do governador paulista, de R$ 21,6 mil.

É o caso do atual reitor, José Tadeu Jorge. Com as duas matrículas, os vencimentos dele no mês de março somaram R$ 54,3 mil (bruto). Praticamente toda a cúpula atual da Unicamp recebe salário acima do teto do governador. A Folha não conseguiu localizar Tadeu Jorge no início da noite desta terça (18) para falar sobre o assunto.

Knobel afirmou que pretende publicar o ato administrativo na quinta-feira (20), assim que tomar conhecimento de toda a situação. "Isso [extinção da dupla matrícula] é uma promessa de campanha e vamos cumprir já no primeiro dia de trabalho efetivo. Um ato administrativo vai acabar com o subsídio complementar", disse.

No ano passado, o Conselho Universitário da Unicamp rejeitou suspender a remuneração por dupla matrícula. Com isso, a situação permaneceu a mesma. Das três principais universidades paulistas -USP, Unicamp e Unesp-, apenas a Unicamp tem o sistema de dupla matrícula, instituído por decreto estadual em 1997.

Já com relação aos supersalários -cerca de mil servidores da Unicamp têm salários acima do que o governador paulista recebe-, eles se mantêm congelados. "Para os casos novos, nós vamos aplicar o teto constitucional, ou seja, nenhum docente ou servidor passará a receber acima dos R$ 21,6 mil do governador", afirmou o novo reitor.

COTAS

O novo reitor disse ser a favor das cotas étnico-raciais, mas não apenas como o único modelo de acesso de negros, pardos ou índios, à universidade. Ele afirmou que pretende implantar o sistema de cotas já no primeiro ano na Unicamp. Atualmente, a instituição usa um sistema de pontuação para alunos de escolas públicas e que se declaram negros, pardos ou índios.

"Esse assunto já está em tramitação dentro da universidade. Cada setor está discutindo o modelo a ser adotado, e isso será avaliado e aprovado pelo Conselho Universitário", disse Knobel. O sistema de cotas étnico-raciais também é avaliado para cursos da pós-graduação em pelo menos dois institutos da Unicamp.

O físico, que deu aulas até antes de iniciar a campanha, há cerca de seis meses, venceu outros cinco candidatos no primeiro turno, com 52% dos votos. Na eleição, toda a comunidade acadêmica vota: professores, funcionários e alunos. Antes de ser eleito reitor, Knobel também foi diretor do Laboratório Nacional de Nanotecnologia.