Novo repasse do governo estadual cobre 11% da dívida do Hospital São Paulo

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O governador Rodrigo Garcia (PSDB) assinou nesta segunda-feira (25) autorização para um repasse de R$ 58 milhões para o Hospital São Paulo, na Vila Clementino, zona sul da capital paulista. A instituição universitária, que atende pelo SUS (Sistema Único de Saúde), faz parte da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Do total, R$ 50 milhões são para custeio e R$ 8 milhões para reforma do pronto-socorro, prevista para ser entregue em setembro.

O repasse de custeio representa cerca de 11% da dívida da instituição, em torno de R$ 450 milhões, segundo Nacime Salomão Mansur, superintendente do hospital.

Mensalmente, afirma ele, o hospital recebe cerca de R$ 22 milhões em repasses federal e estadual, para um gasto médio de R$ 30 milhões.

A crise financeira, segundo Mansur, que assumiu o cargo em 31 de janeiro com a missão de reestruturar o hospital, já provocou a demissão de 300 funcionários neste ano. Questionado, ele não garantiu que não haverá mais cortes. Atualmente, cerca de 5.600 pessoas trabalham no local, sendo 3.000 CLTs e o restante, estatutários.

No início de março, médicos e enfermeiros fizeram um protesto por causa das demissões.

"Não resolve a questão, mas esse recurso será para a gente fazer caixa, pagar dívidas, fornecedores", afirmou o superintendente, que chamou a situação do hospital de aflitiva. "O hospital estava sob massagem cardíaca e agora volta a respirar", afirmou.

O valor de custeio extra será pago em nove parcelas, sendo a primeira já nesta segunda-feira, conforme o governo estadual.

De acordo com Mansur, por causa da crise financeira, o Hospital São Paulo está atendendo com apenas metade da sua capacidade. Ou seja, dos 800 leitos disponíveis, 400 não são utilizados.

O pronto-socorro que será reformado funciona em sistema de referenciamento, ou seja casos de baixa complexidade são encaminhados para a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Vila Mariana, por exemplo. E atende de porta aberta para especialidades médicas.

Por volta das 11h30 desta segunda-feira, 13 pessoas aguardavam para serem chamadas na sala de espera do pronto-socorro, que não estava lotado.

Em seu discurso, Rodrigo Garcia afirmou várias vezes que o hospital é federal --em nota, o Ministério da Saúde disse que não é de sua responsabilidade direta.

Atualmente, a gestão é compartilhada pela organização social SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina) e pela Unifesp.

"É um dinheiro para o hospital recuperar suas contas", disse. O governo afirmou que a liberação de recursos é uma forma de "evitar o colapso" da instituição.

O secretário estadual de Saúde, Jean Gorinchteyn, disse que a falta de reajustes da tabela SUS é um dos pontos responsáveis pela crise no hospital. "Um procedimento custa 100% a mais do que é pago", afirmou.

Em nota, o Ministério da Saúde disse que os valores da tabela são atualizados constantemente e que ela não é a única forma de financiamento dos serviços de saúde.

"Em 2021, foram repassados aos fundos estaduais e municipais mais de R$ 67,7 bilhões para o custeio de serviços hospitalares em todo o país", disse o ministério em nota. "Em 2021, até abril, já foram repassados mais de R$ 18,7 bilhões para o custeio desses serviços."

Questionado sobre a crise no hospital da universidade federal, o Ministério da Educação não respondeu até a publicação desta reportagem.

Na saída do hospital, embaixo de uma faixa de agradecimento a ele, o governador, que é pré-candidato ao cargo, foi abordado por duas mulheres que reclamavam de problemas no atendimento. "Você veio na hora certa", disse Gorinchteyn, a uma delas, apontando para Rodrigo.

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