Novo secretário de Segurança do DF deve ser escolhido em acordo político com Lula

**Arquivo**BRASÍLIA, DF,  BRASIL,  19-10-2021, 12h00: O ministro da Justiça, Anderson Torres. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
**Arquivo**BRASÍLIA, DF, BRASIL, 19-10-2021, 12h00: O ministro da Justiça, Anderson Torres. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O substituto de Anderson Torres na secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal deverá ser escolhido num acordo político com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Torres é ex-ministro da Justiça de Jair Bolsonaro (PL) e estava nos Estados Unidos durante os atos de vandalismo na capital federal. Ele foi exonerado do cargo por Ibaneis Rocha (MDB) no domingo (8), horas antes de o emedebista ser afastado do governo do Distrito Federal.

A governadora em exercício do Distrito Federal, Celina Leão (PP), tem dito a aliados que, até o fim do mês, irá articular com o Palácio do Planalto um novo secretário que tenha o aval de Lula e que também não crie atritos com as forças policiais do DF.

O interventor na Segurança Pública do Distrito Federal, Ricardo Cappelli, ocupará o cargo até 31 de janeiro.

Segundo integrantes do governo do DF, Torres, nos poucos dias em que esteve no comando da secretaria, fez trocas que enfraqueceram a inteligência da segurança pública, viajou para o exterior sem deixar um plano de ação e uma estratégia em meio a um período de agitação política na capital federal.

Celina tem defendido as corporações policiais do DF -base eleitoral dela. No entanto, ela tem afirmado em discursos públicos que o vandalismo de domingo foi resultado de erros de algumas pessoas, principalmente de Torres.

O ex-ministro de Bolsonaro tem se defendido das acusações. Ele nega conivência com o vandalismo e diz que o governo do DF fez devidamente o "planejamento" para receber a manifestação de bolsonaristas.

Nesta quinta-feira (12), a Folha revelou que a Polícia Federal encontrou na casa de Torres uma minuta de decreto para o então presidente Bolsonaro instaurar estado de defesa na sede do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). O objetivo seria reverter o resultado da vitória eleitoral de Lula, numa medida inconstitucional.

A ideia de Celina é restabelecer uma proximidade com o governo Lula, apesar de a governadora em exercício ser aliada do ex-ministro Ciro Nogueira, que ocupou a Casa Civil de Bolsonaro. Ela também é aliada do presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL).

O objetivo da cúpula do governo local é que, ao dialogar com a equipe de Lula, a fase de intervenção seja uma página virada no final de janeiro. Com isso, Celina espera voltar a um ambiente de normalidade na segurança pública, evitando contestações por parte da população do Distrito Federal -que reelegeu Ibaneis no primeiro turno.

Ainda não há cotados para assumir o lugar de Torres. O desafio será atender aos anseios do Planalto e também das corporações de segurança pública do DF, que são de tendência bolsonarista.

Paralelamente a isso, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino (PSB), tem analisado a proposta de ampliar o poder federal sobre a segurança pública do DF. O projeto em estudo, que faria essa mudança de forma permanente, tem como justificativa a redução de influência política na área.

Ibaneis, que foi afastado do cargo por 90 dias pelo STF (Supremo Tribunal Federal), também é próximo de Bolsonaro.

Integrantes do governo do DF, porém, afirmam que em outras manifestações contrárias ao PT o efetivo policial do Distrito Federal foi suficiente para controlar os protestos. A exceção foi o ataque golpista de domingo.

Ricardo Cappelli afirmou nesta terça-feira (10) que a manifestação golpista promovida por militantes bolsonaristas foi possível por causa da "operação de sabotagem" nas forças de segurança locais, que foi promovida por Torres.

Os ministros do STF decidiram por maioria nesta quarta (11) manter os pedidos de prisão preventiva de Torres e do ex-comandante da Polícia Militar do Distrito Federal Fabio Augusto Vieira.

A escolha do substituto de Torres deverá ser feita antes do retorno de Ibaneis ao governo do DF. A tendência é que, de volta à chefia do Executivo, ele mantenha no posto o secretário a ser nomeado por Celina, após consultas ao Planalto.

Ibaneis e Celina são do mesmo grupo político do Distrito Federal.

O ministro da Justiça disse que irá sugerir ao presidente Lula revisão sobre segurança do Distrito Federal. Ele disse que os três Poderes estão se sentindo reféns da Segurança Pública do Distrito Federal.

O ministro ainda não definiu qual seria a estratégia, mas apontou diversas possibilidades. Entre elas, sugerir que o secretário de Segurança Pública do DF passe por uma aprovação no Senado ou que parte do Distrito Federal, por exemplo, a Esplanada dos Ministérios, a Praça dos Três Poderes, onde se situa o núcleo do comando do país, passe a ser protegida exclusivamente por uma espécie de guarda nacional, e não apenas pela Polícia Militar do Distrito Federal.

"Há várias ideias sobre a mesa e eu irei apresentar ao presidente Lula nos próximos dez dias para que ele estude e, claro, possa dialogar com os chefes dos Poderes legislativos e a própria presidência do Supremo porque todos os Poderes foram atingidos. A segurança presidencial, a Polícia Legislativa do Senado, a Polícia Legislativa da Câmara e a Polícia do Supremo, que são órgãos autônomos, se relacionavam com quem? Com a PM do DF e o aparato de segurança pública do DF dizia que estava tudo bem", disse Dino, em entrevista a CNN.