Novos ônibus do BRT: serviço melhora mas ainda há reclamações

Um mês depois do início da operação dos novos ônibus articulados do BRT (completados no último dia 15), já é possível notar diferenças na qualidade dos serviços em comparação aos ônibus antigos, embora ainda existam problemas. De um lado, os veículos têm circulado com as portas fechadas (há um sistema que bloqueia o motor, se a porta estiver aberta) e o ar-condicionado dá conta do recado mesmo nos coletivos mais lotados. Por outro lado, os recursos implantados para informar os passageiros sobre paradas e outros serviços de utilidade pública, como alto-falantes e painéis informativos, têm falhas.

As observações foram feitas por uma equipe do GLOBO que, na segunda-feira, viajou nos ônibus por quase seis horas, tanto no eixo Transolímpico (com os novos veículos desde dezembro) quanto no Lote Zero do Transoeste (Jardim Oceânico — Terminal Alvorada), que recebeu novos coletivos no último dia 6. Ao todo, foram feitas 18 viagens (parciais) em 17 dos novos coletivos. Isso correspondeu a 22% dos 76 ônibus que operavam naquele dia. Em apenas três o sistema de informação funcionou adequadamente.

Os calotes diminuíram com a mudança no projeto das estações, que reduziu o vão entre a porta e a plataforma, mas ainda acontecem, principalmente no BRT Transolímpico. Apesar de a Secretaria de Ordem Pública (Seop) afirmar que agentes do BRT Presente trabalham diariamente para identificar irregularidades, o GLOBO só encontrou na segunda-feira equipes em estações e ônibus do Lote Zero.

— A viagem de fato está mais confortável. Só espero que os outros corredores sejam reformados. Pode ser uma falha pontual, mas não entendo como em um ônibus novo o painel esteja ‘’congelado’’, sem indicar as estações— observou a analista financeira Rosana Costa, de 35 anos, que se desloca pelo Lote Zero entre sua residência, na altura da estação Minha Praia; e o trabalho no Centro Metropolitano.

A situação é bem diferente nos corredores do BRT Transoeste e do Transcarioca que ainda operam com os coletivos velhos, que rodam com ar-condicionado quebrado, apresentam defeitos constantes e circulam com portas abertas porque os passageiros forçam os mecanismos de travas. Esses modelos antigos ganharam até um apelido pejorativo dos motoristas: seriam ‘’senzalas’'.

— São senzalas porque, assim como uma casa antiga de escravos, não oferecem qualquer conforto. Sem ar-condicionado e lotados, o calor é insuportável — explicou um motorista para um colega recém-contratado, em diálogo ouvido pelo repórter em um dos coletivos usados no Lote Zero.

O sistema reformulado também ainda enfrenta problemas com o vandalismo. Em 33 dias (até esta quarta-feira), a estatal Mobi-Rio já registrou 57 ocorrências entre as quais 12 furtos de martelinhos instalados nos coletivos para serem usados para quebrar janelas em casos de emergência; 30 pichações e outros atos, como como danos às saídas USB e bancos,. Ou seja, quase dois casos por dia.

— Furtos e vandalismo são um problema em toda a cidade e não apenas no BRT. E isso só vai mudar se houver uma redução na quantidade de receptadores de materiais roubados. Por outro lado, observamos que as ocorrências também têm sido menores nos ônibus novos— diz a presidente da Mobi-Rio, Claudia Secim.

Na tentativa de reduzir o vandalismo, Claudia diz que prepara um recurso adicional para identificar os infratores:

— Eles geralmente já sabem onde ficam as câmeras. Muitas vezes, quebram o sistema. Agora, vamos começar a instalar equipamentos extras em locais diferentes. A ideia é que sejam identificados de qualquer forma.

Por causa dos furtos e vandalismo, a prefeitura desistiu de colocar nas estações já recuperadas (independentemente da linha) os painéis informativos que indicavam o intervalo entre os serviços do BRT e as portas de embarque. A Mobi-Rio, porém, diz que um serviço diferente para o usuário será anunciado em breve.

Sobre os calotes, Claudia disse que desde esta terça-feira equipes do BRT têm circulado de moto pelas calhas do Transolímpico e do Lote Zero para abordar os caloteiros e impedir que permaneçam no local. A intenção é, em breve, aplicar multas.

Em relação aos problemas dos painéis de informações e avisos sonoros, , a Secretaria de Transportes informou que os coletivos ainda estão na fase de garantia e correções estão sendo feitas. As montadoras que forneceram os coletivos têm técnicos trabalhando na garagem de Curicica, treinando também os mecânicos da Mobi-Rio.

Outra constatação é que os ônibus do Transolímpico circulam cheios, mas não superlotados, independentemente do horário. Boa parte dos usuários que embarca e desembarca do BRT tem como destino o terminal de integração de Sulacap, onde o sistema se interliga com os trens do subúrbio e as linhas convencionais. Mas ainda há reclamações.

— A oferta de ônibus continua reduzida no fim da noite. Sou intérprete, trabalho na Barra e largo sempre depois das 23 horas. Geralmente, espero meia hora para passar o ônibus —diz Rafael Lima, de 31 anos, morador de Bangu.