Novos confinamentos na Inglaterra e Grécia, recorde de contágios nos Estados Unidos

Anna CUENCA, con Beatriz LECUMBERRI en París
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Pedestres na Millenium Bridge, ponte sobre o rio Tâmisa de Londres, em 5 de novembro de 2020
Pedestres na Millenium Bridge, ponte sobre o rio Tâmisa de Londres, em 5 de novembro de 2020

A Inglaterra voltou nesta quinta-feira (5) ao confinamento contra o coronavírus, uma medida que será aplicada na Grécia a partir de sábado para tentar frear a implacável segunda onda de uma pandemia que castiga toda a  Europa e tampouco dá trégua nos Estados Unidos, país que registrou o recorde de 100.000 novos casos em apenas um dia.

A princípio, durante quatro semanas, os 56 milhões de ingleses serão autorizados a sair de casa apenas para comprar comida, comparecer ao médico, praticar exercícios ou seguir até o trabalho, quando não for possível adotar o 'home office'. 

País mais afetado da Europa pela pandemia, o Reino Unido registra quase 48.000 mortes provocadas pela covid-19, com 492 vítimas fatais apenas na quarta-feira, o maior balanço diário desde maio.

Depois de resistir à ideia de um segundo confinamento nacional, o primeiro-ministro Boris Johnson anunciou no sábado passado que o Reino Unido seguiria os passos de países vizinhos, como França e Irlanda, com a esperança de poder permitir as reuniões das famílias durante o Natal.

Na Grécia, apesar de reconhecer uma "decisão difícil", o primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis anunciou que o país vai instaurar um novo confinamento a partir de sábado durante pelo menos três semanas.

Ao contrário do primeiro confinamento, Grécia, Inglaterra e os países europeus que decretam as restrições permitem, no entanto, que as escolas permaneçam abertas.

- Uma Europa entrincheirada -

Em todo o mundo, a pandemia de covid-19 provocou mais de 1,2 milhão de mortes desde que o escritório da OMS na China registrou o surgimento da doença em dezembro, de acordo com  o balanço da AFP com base em números oficiais. 

A pandemia provocou mais de 48,1 milhões de casos. Na quarta-feira foram registrados em todo o mundo 8.832 mortes e 551.429 contágios.

O rápido avanço da segunda onda transformou a Europa na região mais afetada do mundo, com 11,6 milhões de casos registrados até o momento. 

Na semana passada o continente registrou a média de 277.000 novos casos por dia, o que representou mais da metade dos diagnósticos no mundo.

O aumento dos contágios acabou com as esperanças de uma rápida recuperação econômica na zona do euro, admitiu a Comissão Europeia.

O Produto Interno Bruto (PIB) da Eurozona cairá 7,8% este ano e a recuperação em 2021 será menos expressiva que o esperado: +4,2%, contra +6,1% da estimativa de julho.

Ao mesmo tempo, as restrições não param de aumentar no continente.

A Itália, ainda traumatizada com a primeira onda, adota a partir desta quinta-feira um toque de recolher entre 22H00 e 5H00, a princípio até 3 de dezembro. O país registra mais de 39.000 mortes e 750.000 contágios e tenta frear as infecções sem decretar um confinamento nacional.

Na Espanha, que supera 1,2 milhão de casos e registra quase 36.500 vítimas fatais, o governo é pressionado a seguir os outros países europeus e aplicar um confinamento domiciliar.

Em Portugal, mais de sete milhões de pessoas (70% da população) respeitam desde quarta-feira um confinamento de pelo menos duas semanas devido ao aumento preocupante de casos em um país relativamente preservado da pandemia na primeira onda.

Em Paris, confinada como o restante da França desde 30 de outubro, as autoridades municipais anunciaram novas restrições, que incluem o fechamento de algumas lojas que vendem bebidas alcoólicas e restaurantes que oferecem comida para viagem a partir das 22h00 "porque, em alguns casos, foram constatados abusos", explicou a prefeita Anne Hidalgo.

Em outros países da Europa, as imagens são similares: A Áustria adotou um toque de recolher noturno, a Polônia fechou bares e lojas, a Hungria retomou o estado de alerta e teme um colapso dos hospitais e na Suíça o exército foi colocado à disposição dos cantões para organizar hospitais ou transferências de pacientes.

- Recorde de contágios diários nos EUA -

Estados Unidos registraram 100.000 novas infecções em 24 horas, de acordo com os números divulgados na quarta-feira pela Universidade Johns Hopkins, o centro de referência no país, que também informou 1.112 mortes em apenas um dia.

Com 233.734 óbitos provocados pela covid-19, o país é o mais afetado pela pandemia, que foi um dos principais temas da disputa pela Casa Branca entre o presidente Donald Trump e seu rival democrata Joe Biden, que ainda não tem um vencedor.

Na América Latina, vários países flexibilizaram as restrições após uma aparente estabilização dos casos. Cuba, no entanto, registrou na quarta-feira 109 novos casos de covid-19, um recorde em sete meses de pandemia, número impulsionado por 36 casos "importados", de cubanos que retornaram recentemente ao país.

A pandemia também tem efeitos colaterais graves para vítimas de outras doenças, que observam o adiamento de seus tratamentos devido à concentração de recursos na luta contra o coronavírus. 

Um estudo publicado pela revista médica britânica BMJ aponta que um mês de atraso no tratamento de um câncer aumenta entre 6% e 13% os riscos de morte para o paciente.

E adiar, por exemplo, em 12 semanas a cirurgia de um mulher com câncer de mama se traduz em 6.100 mortes adicionais em um ano nos Estados Unidos e 1.400 no Reino Unido.

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