Nigéria negocia cessar-fogo com Boko Haram

Abuja, 26 mar (EFE).- O governo da Nigéria negocia um cessar-fogo com o grupo jihadista Boko Haram, que nos últimos anos causou mais de 20 mil mortes e provocou o deslocamento de dois milhões de pessoas, de acordo com um comunicado divulgado pelo ministro de Informação nigeriano, Lai Mohammed.

"Estamos há algum tempo em negociações mais amplas sobre uma cessação de hostilidades com os insurgentes", afirmou Mohammed no documento assinado no último domingo.

Essas negociações possibilitaram a libertação de três professores universitários e de várias esposas de policiais que tinham sido sequestradas pelo Boko Haram no final de 2017, mas não evitaram que os jihadistas raptassem mais de cem estudantes do instituto feminino de Dapchi, no nordeste do país.

O ministro revelou que 113 pessoas foram sequestradas nesse incidente, três a mais que o número anunciado inicialmente. Embora cinco das meninas estejam desaparecidas - supostamente morreram após o sequestro, segundo a imprensa local - e uma delas ainda permaneça em cativeiro por ter se recusado a se converter ao islã, Mohammed prometeu que o governo não retrocederá na tentativa de trazê-la de volta para casa.

O ministro de Informação indicou que o governo utilizou essas negociações para acelerar a libertação do restante das estudantes, que tinham sido sequestradas no dia 19 de fevereiro.

"O governo está disposto a tomar medidas que possam deter o derramamento de sangue e a encontrar soluções duradouras para o conflito", disse.

No passado, a Nigéria contou com o apoio de organizações como o Comitê Internacional da Cruz Vermelha e o governo da Suíça nas conversas com o Boko Haram.

Uma dessas negociações conseguiu fazer com que os terroristas libertassem mais de 100 meninas sequestradas desde abril de 2014 na cidade de Chibok (nordeste), embora ainda restem 112 desse grupo nas mãos de Boko Haram. EFE