Novos protestos contra golpe militar no Sudão acabam com 14 mortos

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Ao menos 14 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas, nesta quarta-feira (17), durante manifestações no Sudão contra a cúpula militar que liderou um golpe no final do mês passado. Segundo a agência de notícias Reuters, que cita médicos como fontes, as mortes foram decorrentes de ações das forças de segurança nas proximidades de Cartum, capital do país.

Os atos, em diversas cidades, tiveram a participação de milhares de sudaneses, que exigiam a libertação de todas as autoridades civis presas pelos militares e o julgamento dos responsáveis pelo golpe.

De acordo com testemunhas ouvidas pela Reuters, as forças de segurança atiraram contra os manifestantes e usaram gás lacrimogêneo para dispersar as multidões. Das 14 mortes, ao menos 7 teriam ocorrido em Bahri, cidade vizinha a Cartum.

"As forças golpistas usaram pesadamente balas de verdade em diferentes áreas da capital, e há dezenas de feridos por arma de fogo, alguns deles em estado grave", informou o Comitê Central de Médicos Sudaneses, grupo de profissionais alinhado a manifestantes.

O Partido do Congresso Sudanês, que integrava a coalizão militar e civil que sustentava o premiê deposto, Abdallah Hamdok, disse que um de seus líderes foi preso depois de policiais irem a sua casa.

Nas ruas, os sudaneses carregavam fotos de pessoas mortas em protestos anteriores, além da de Hamdok. O primeiro-ministro civil chegou a ser detido na tomada de poder e foi liberado e posto em prisão domiciliar um dia depois. "A legitimidade vem da rua, não dos canhões", dizia uma faixa.

Antes mesmo de darem início aos protestos desta quarta, os manifestantes encontraram grande contingente de policiais, que bloquearam estradas e cruzamentos. Pontes sobre o rio Nilo também foram fechadas.

Apesar das mortes, as forças de segurança inicialmente não fizeram comentários sobre os atos. Antes deles, o chefe do Exército e líder do país desde o golpe, general Abdel Fattah al-Burhan, disse que protestos pacíficos são permitidos e que os militares não matam manifestantes.

O regime é acusado, pela organização sudanesa de médicos, de ser responsável pela morte de ao menos sete pessoas durante atos no último sábado (13). Ao todo, desde o golpe de 25 de outubro, 38 pessoas, incluindo 3 adolescentes, morreram e centenas ficaram feridas.

Somam-se à brutalidade das forças de segurança na repressão os recentes bloqueios de internet por parte dos militares, o que tem dificultado a organização dos opositores. Com a suspensão total ou parcial dos serviços de internet móvel no Sudão desde o golpe, manifestantes têm marcado a concentração para atos via SMS --nesta quarta, porém, o regime também bloqueou as comunicações telefônicas.

Na quinta-feira passada (11), em meio à pressão internacional, Burhan anunciou um novo conselho de transição para comandar o país. O grupo é liderado pelo próprio general, que também manteve como vice Mohamed Hamdan Dagalo, comandante das poderosas Forças de Apoio Rápido paramilitares.

Antes do golpe, os dois já exerciam essas funções, mas compartilhavam o poder com Hamdok, o premiê civil. A composição seria mantida até 2023, quando estavam previstas eleições no país.

A nomeação do novo conselho de transição gerou repúdio entre sudaneses e a comunidade internacional, que vê cada vez mais distante a possibilidade de um acordo pacífico para o imbróglio. A ONU classificou o movimento de Burhan como "muito preocupante".

Na terça (16), a diplomata enviada ao país pelo governo americano, Molly Phee, encontrou-se com Hamdok para discutir formas de retomar o poder. Dias antes, ela já havia se reunido com Burhan, que prometeu a libertação de presos políticos em até dois dias.

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