Novos protestos contra o governo deixam três mortos no Sudão

Por Jay DESHMUKH, Abdelmoneim ABU IDRIS ALI
Partidários do presidente sudanês, Omar Al Bashir, em concentração pró-regime na capital, Cartum, em 9 de janeiro de 2019

Três pessoas morreram em uma manifestação contra o governo perto de Cartum, horas depois de uma manifestação pró-regime, elevando para 22 o número de mortos neste movimento de protestos no Sudão.

Na quarta-feira, centenas de manifestantes gritaram "Liberdade, paz e justiça" e "a revolução é escolha do povo" em um novo protesto contra o governo em Omdurman, perto da capital, Cartum, antes de serem dispersos com gás lacrimogêneo pelas forças policiais.

O movimento de revolta de parte da população começou em 19 de dezembro, após a decisão do governo de triplicar o preço do pão, em um país que está em recessão econômica. No entanto, os protestos rapidamente se transformaram em um movimento contra o presidente Omar Al Bashir, que chegou ao poder com um golpe em 1989.

Na quinta-feira, a polícia anunciou que três manifestantes perderam a vida após a manifestação em Omdurman, sem especificar as causas de sua morte.

"Uma manifestação ilegal ocorreu em Omdurman e a polícia dispersou os manifestantes com bombas de gás lacrimogêneo", declarou o porta-voz da polícia, Hashim Abdelrahim, em um comunicado.

"Posteriormente, a polícia foi informada da morte de três manifestantes. Abrimos uma investigação", acrescentou.

Até agora, as autoridades haviam confirmado 19 mortos, incluindo dois membros dos serviços de segurança durante os protestos. A ONG Human Rights Watch informou um balanço de 40 mortos, incluindo crianças, citando fontes médicas e ativistas.

Na quarta-feira, uma fonte médica informou à AFP que seis manifestantes, feridos por balas, deram entrada no hospital de Omdurman.

- Mais de 800 detenções -

O presidente Bashir e outros líderes políticos atribuem a violência das últimas semanas a "agitadores" e "conspiradores".

Os protestos de Omdurman ocorreram pouco depois de milhares de pessoas aclamarem o presidente Bashir em Cartum.

"Esta concentração envia uma mensagem àqueles que pensam que o Sudão acabará como outros países que foram destruídos", disse o presidente à multidão. "Vamos prender qualquer um que queira destruir nossos bens", garantiu.

Vestindo uma camisa e calça cáqui, acompanhado por sua esposa e um grupo de ministros, o chefe de Estado foi ao parque Green Yard da capital para a multidão, gritando "Deus é grande" e "Sim, sim Bashir, nós seguimos você".

Mais de 800 manifestantes foram detidos desde o início da contestação, segundo as autoridades, que também incluem líderes da oposição, ativistas e jornalistas.

Em uma declaração conjunta, Reino Unido, Noruega, Estados Unidos e Canadá pediram na terça-feira às autoridades sudanesas para investigar as mortes dos manifestantes, dizendo-se "horrorizados" pelo "uso de munição real contra os manifestantes."