Novos protestos contra lei antimuçulmana deixa mais mortes na Índia

Por Abhaya SRIVASTAVA, avec Nishant SAXENA à Lucknow
Polícia indiana enfrenta os manifestantes em Lucknow

Cinco pessoas morreram nesta sexta-feira durante manifestações na Índia, que aumentam para 14 o número de mortes desde a semana passada, quando começaram os protestos contra uma nova lei de cidadania considerada discriminatória.

Vários pontos na Índia foram novamente cenário de confrontos entre policiais e manifestantes durante protestos contra a lei considerada discriminatória para com os muçulmanos.

Essas são as manifestações mais importantes desde a chegada ao poder do governo nacionalista hindu do primeiro-ministro Narendra Modi em 2014.

Nesta sexta-feira, os confrontos ocorreram em Lucknow, capital do estado de Uttar Pradesh (norte), onde várias centenas de pessoas foram presas quando se manifestavam, disse um jornalista da AFP.

Em muitos lugares neste país de 1,3 bilhão de habitantes, a proibição de manifestação é mantida e, em alguns casos, as autoridades cortaram o acesso à Internet.

A polícia instalou dispositivos de segurança em frente a inúmeras mesquitas por medo de incidentes nesta sexta, quando é realizada a tradicional oração muçulmana semanal.

A lei que desencadeou os protestos concede cidadania aos refugiados do Afeganistão, Paquistão e Bangladesh, mas apenas se eles não forem muçulmanos.

Seus críticos consideram isso discriminatório e contrário à Constituição indiana.

A nova lei não afeta diretamente os indianos da confissão muçulmana, mas eles temem discriminação após cinco anos de governo de Modi.

Em Nova Delhi, a capital, a situação era tensa no bairro de maioria muçulmana de Old Delhi, de acordo com jornalistas da AFP no local.

Apesar da proibição de manifestação, cerca de 5.000 pessoas se reuniram na saída da oração na grande mesquita Jama Masjid, sob obsrvação de numerosos policiais.

Alguns manifestantes carregavam uma enorme bandeira indiana de 30 metros de comprimento e gritavam "Liberdade, liberdade!".

Na quinta-feira, um manifestante foi morto por ferimentos a bala em Lucknow, disse à AFP um médico que não quis se identificar.

A polícia negou os disparos, mas o pai da vítima disse ao jornal Times of India que seu filho foi baleado ao passar pelo meio de uma manifestação quando fazia compras.

Além disso, 16 policiais ficaram feridos na cidade.

As forças de segurança também dispararam na quinta-feira contra a multidão em Mangalore (sul) para dispersar uma manifestação de cerca de 200 pessoas e mataram dois manifestantes, disse à AFP o porta-voz da polícia Qadir Shah.

Quatro outros manifestantes foram hospitalizados por ferimentos a bala.

Em um editorial muito crítico ao governo, o jornal The Indian Express pediu nesta sexta que tudo seja feito para preservar a paz em um país onde os muçulmanos representam 14% da população.

"A maior democracia do mundo não parece capaz de aceitar jovens que discordam do poder. A Índia corre um alto risco se começar a ser vista como um lugar onde os dissidentes sentem medo", afirmou o jornal.

A ONG Anistia Internacional (AI) pediu na quinta-feira às autoridades indianas que "cessem a repressão contra manifestantes pacíficos que protestam contra uma lei discriminatória".