Novos protestos contra lei indiana considerada antimuçulmana

Um homem marcha com uma bandeira da oposição à nova lei de cidadania indiana em 17 de dezembro de 2019 em Bangalore

Os opositores a uma lei de cidadania na Índia, considerada discriminatória contra os muçulmanos, voltaram às ruas nesta terça-feira, desafiando o governo do primeiro-ministro Narendra Modi.

Durante semanas, foram realizadas manifestações contra essa nova lei, em um movimento de protesto de magnitude raramente visto no país desde a chegada dos nacionalistas hindus em 2014.

O texto facilita a atribuição da cidadania indiana a refugiados do Afeganistão, Bangladesh e Paquistão, desde que não sejam muçulmanos.

Nesta terça-feira manifestantes se reuniram na cidade de Calcutá (leste), convocados pela chefe do Executivo local, Mamata Banerjee, uma ferrenha opositora de Modi.

Também houve manifestações no estado de Kerala (sul), também controlado pela oposição.

E outras concentrações são esperadas na na capital Nova Délhi.

Nos últimos dias, as autoridades cortaram a internet e usaram a força para dispersar marchas e multidões em várias partes deste país com 1,3 bilhão de habitantes.

O movimento começou na semana passada, no nordeste do país, onde seis pessoas morreram e ocorreram cenas de caos, no momento em que o Parlamento indiano examinava e aprovava o texto.

Os manifestantes nesta parte do país se opõem a essa lei porque ela causaria um fluxo de refugiados hindus da fronteira de Bangladesh para sua região, onde já existe um frágil equilíbrio intercomunitário.

A mobilização se intensificou após os violentos confrontos no domingo entre manifestantes e policiais da grande universidade Jamila Millia Islamia na capital, na qual houve 200 feridos, principalmente estudantes.

A polícia fala de 39 estudantes e 30 policiais feridos.

Este episódio resultou em marchas de solidariedade em vários campus universitários de todo o país na noite de domingo.

"A violência contra estudantes que se manifestam pacificamente não pode ser justificada sob nenhuma circunstância", disse Avinash Kumar, diretor da Anistia Internacional na Índia, em comunicado.