Numa corrida contra o tempo, Rio ganha 90 respiradores do governo federal

Luiz Ernesto Magalhães
1 / 2

bonsucesso

Ministro da Saúde, Nelson Teich, visita Hospital Federal de Bonsucesso

Diante do atraso da entrega de mil respiradores adquiridos pelo Rio, o ministro da Saúde, Nelson Teich, anunciou ontem que cederá 90 aparelhos para o Rio de Janeiro abrir mais leitos de UTI. Desses, 30 serão instalados no Hospital de Campanha do Maracanã. Entre as outras unidades que receberão os equipamentos, estão o Hospital Alberto Torres, em São Gonçalo, e o Hospital da Posse, em Nova Iguaçu.

Na manhã de ontem, profissionais da área médica fizeram uma manifestação na porta do Hospital Geral de Bonsucesso, onde aguardavam o ministro, que, visitou a unidade. Os manifestantes seguravam faixas e cartazes que denunciavam a falta de suporte para o combate ao coronavírus e a favor do SUS. Mas não encontraram Teich, que utilizou outra entrada.

— Nós estamos aqui, trabalhadores da saúde e usuários do SUS, fazendo uma manifestação sem aglomerações, seguindo os critérios recomendados de combate à pandemia, para denunciar um projeto de desmonte da saúde pública, de ataques sistemáticos e históricos ao Sistema Único de Saúde e que, neste momento de pandemia, assume o caráter mais cruel — disseram alguns dos presentes, em um jogral.

O Hospital Geral de Bonsucesso deve dobrar sua capacidadade de atendimento a doentes com Covid-19 em um período de 48 horas. De quinta para sexta-feira, os leitos para pacientes com coronavírus passaram de 36 leitos para 56. Até ontem à noite, havia a expectativa de mais 20 vagas serem abertas. Ainda assim, a unidade continua longe de pôr à disposição os 170 e até 240 — após agrupamento em enfermarias coletivas — anunciados pelo Ministério da Saúde no início da crise.

O prédio 1 do hospital, que oferecia serviços de 28 especialidades antes da pandemia, chegou a ser esvaziado. Mas, até quinta-feira, era um edifício fantasma, segundo profissionais. Há uma semana, o hospital atendia apenas 35 pacientes: 18 internados e 17 na emergência. Os entraves para aumentar a prestação de serviços incluía falta de profissionais, de equipamentos de proteção individual e até de respiradores. De acordo com a assessoria do hospital, a abertura de 40 leitos nesta sexta e neste sábado seria possível por conta do processo de contrataçõess em andamento.

Pandemia avança

Sábado à noite, a Secretaria estadual de Saúde (SES) contabilizava 153 mortes por Covid-19 a mais do que na sexta-feira, chegando a 1.653 óbitos e 16.929 casos confirmados em 85 dos 92 municípios do estado. A quantidade de mortes registradas em um único dia só não é maior do que as confirmadas na última quinta-feira. A capital continua a liderar o triste ranking, com 807 novas notificações e 90 mortes. Ao todo, já foram registrados 10.479 casos e 1.092 óbitos no muncípio. Enquanto a pandemia avança a passos largos, o Rio tenta correr contra o tempo para aparelhar unidades de saúde e preparar mão de obra para tratar dos pacientes com coronavírus.

Os novos casos registrados na capital estão acima do que matemáticos da UFRJ projetavam para a data. A previsão era que a cidade não teria essa quantidade de registros antes de terca-feira. Dos 162 bairros, 159 já tem casos, e Copacanana continua a liderar o ranking de mortes (71), seguido de Campo Grande (58) e Bangu (50). A Rocinha é a favela com mais óbitos oficializados: 17.

Ontem, profissionais da saúde que atuarão no atendimento a pacientes com Covid-19 no estado foraram fila em frente ao Hospital de Campanha do Maracanã, onde passaram pelo último dia de treinamento. Eles vão trabalhar ali e em outras unidades estaduais. Anunciado pelo governo do estado no fim de março e construído em 38 dias na área externa do estádio, o hospital do Maracanã se preparava para receber, ontem à noite, seu primeiro paciente, numa inauguração como nove dias de atraso — a previsão inicial era até 30 de abril.

Na sexta-feira, após uma reunião com o ministro da Saúde, Nelson Teich, o governador Wilson Witzel informou que o início do funcionamento da unidade hospitalar seria com a capacidade reduzida: 170 dos 400 leitos do hospital, sendo 50 de UTI e 120 de enfermaria.

— Os outros 230 ainda estão sendo finalizados e serão entregues à população até a próxima sexta-feira — afirmou.

O Hospital do Maracanã contará com dois equipamentos de tomografia e aparelhos de ultrassom, raios-X portátil e hemodiálise. A novidade será um computador que permitirá aos pacientes internados conversar por videoconferência com os parentes em casa.

Este é o quarto de oito hospitais de campanha anunciados para o Rio. O primeiro, da rede municipal, foi aberto em abril, no Riocentro, seguido pelo Lagoa-Barra, do estado, onde na segunda-feira serão abertos mais cem leitos, chegando a 200; e pelo Leblon, da Rede D’Or. A previsão, de acordo com a SES, é inaugurar o do Parque dos Atletas, também da Rede D’Or, na segunda-feira, com 80 leitos, sendo 40 de UTI e 40 de enfermaria.