Número de negros no Ensino Superior brasileiro deve igualar a branco em uma década

·2 minuto de leitura
RIO DE JANEIRO, BRAZIL - JANUARY 17:  A student adjusts her protective mask as waiting at the Rio de Janeiro State University (UERJ) for the National High School Exam (ENEM) on January 17, 2021 in Rio de Janeiro, Brazil. Despite 15 Brazilian states showing an increase in the number of deaths from Coronavirus (Covid-19), the government maintained the exam and 5.7 million candidates are confirmed.  (Photo by Andre Coelho/Getty Images)
Foto: Andre Coelho/Getty Images
  • Estudo mostra que número vem crescendo

  • Há diferenças de avanço entre os estados

  • Entre os motivos da melhora estão as ações afirmativas, como cotas

O número de negros no Ensino Superior pode chegar ao mesmo que brancos daqui pouco mais de uma década, caso o ritmo de entrada deste grupo na educação superior continue crescendo.

OS dados são do economistas Sergio Firpo, Michael França e Alysson Portella, do Insper. Eles criaram o Índice Folha de Equilíbrio Racial (Ifer), usando uma metodologia desenvolvida pelo grupo a partir de um trabalho prévio do qual participou o economista Lucas Rodrigues, da USP.

De acordo com o Ifer, a proporção de pessoas negras com 30 anos ou mais com diploma universitário se aproximou de sua representação populacional em 23 das 27 unidades da federação entre 2014 e 2019. No entanto, o estudo enfatiza que o Ensino Superior segue sendo um ambiente bastante desigual.

Leia também:

Os estados que não tiveram melhora no índice foram Ceará, Alagoas, Piauí e Sergipe, possivelmente pelos efeitos mais fortes da crise econômica no Nordeste.

O estudo mostrou também a importância do ranking financeiro dos estados para aumento do equilíbrio educacional entre grupos raciais. Isso porque estudantes com melhores condições podem pagar ensino privado ou se manter dentro da universidade pública.

Uma explicação para o aumento da equidade racial no Ensino Superior é o crescimento econômico do Brasil antes da crise de 2014.

O Ifer é um indicador que varia de -1 a 1. Quanto mais baixo no índice, mais o estado está desequilibrado a favor de brancos e quanto maior, em favor dos negros. O equilíbrio é indicado entre -0,2 e 0,2, sendo zero o ideal.

De acordo com o novo cálculo do componente educacional do Ifer – que avalia outras frentes – o patamar de equilíbrio (-0,2) será atingido em 12 anos, e a igualdade total (índice 0), em 27 anos. Para isso, no entanto, o ritmo de crescimento se manter.

Os pesquisadores apontam que há diferenças regionais. O Centro-Oeste deve atingir o equilíbrio em 5 anos e a equidade total em 18 anos. Já para o Nordeste o prazo aumenta para 21 e 44 anos, respectivamente.

Entre os motivos para o aumento da equidade no acesso ao Ensino Superior estão melhora na taxa de conclusão do ensino médio, expansão de vagas em universidades, ações afirmativas, como as cotas, e mudanças na autodeclaração dos estudantes, por conta de uma maior valorização da negritude. Esta justificativa foi elaborada por Adriano Senkevics, doutorando na USP.

Este ano, o número de ingressantes na Universidade de São Paulo (USP) advindos de escola pública superou pela primeira vez o número de alunos que concluíram o Ensino Médico em escola particular. Além disso, 27,4% são pessoas PPI (pretas, pardas ou indígenas).

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos