Número de mortos por Covid-19 pode ser até 3 vezes maior, afirma OMS

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NEW DELHI, INDIA - MAY 19: Mortal remains of a Covid-19 victim is being taken for cremation, at Lok Nayak Jai Prakash (LNJP) hospital, on May 19, 2021 in New Delhi, India. (Photo by Raj K Raj/Hindustan Times via Getty Images)
Foto: Raj K Raj/Hindustan Times via Getty Images
  • Dados foram divulgados em novo relatório

  • Falta de informações de alguns países dificulta a contabilização de mortos

  • Países da Américas e África apresentam subnotificação

A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou nessa sexta-feira (21) que estima que o número de mortos por Covid-19 é até três vezes maior que os registros oficiais desde os primeiros casos na China, em 2019.

A revelação foi feita em seu relatório anual, que afirma que a Covid-19 matou, direta ou indiretamente, ao menos três milhões de pessoas em 2020. Esse número diverge das estatísticas oficiais, que apontam um total de 1,8 milhão de falecidos.

"Isso corresponde a estimativas semelhantes, que previam que o número total de mortes seria pelo menos 2 a 3 vezes maior" afirmou Samira Asma, vice-diretora-geral de dados da OMS, em entrevista coletiva.

Asma afirmou que, segundo seus cálculos, o vírus já deixou "cerca de 6 a 8 milhões" de mortos, de forma direta ou indireta. Ela afirmou também que a OMS está investigando em conjunto com diversos países o número real de vítimas da pandemia e "poder estar melhor preparada para a próxima emergência".

No relatório, a OMS afirma que os dados de mortes diárias divulgadas por cada país são "um indicador-chave para acompanhar a evolução da pandemia", mas que não são 100% confiáveis, porque muitos países não possuem registro do estado civil, o que dificulta a especificação da causa da morte de muitas pessoas.

Sem poder contar com a precisão dos dados, a organização estima que no ano passado houve nas Américas um superávit de óbitos entre 1,34 e 1,46 milhão e na Europa entre 1,11 e 1,21 milhão.

A diferença do registro entre continentes é gritante. Estima-se que a Europa registrou 98% do total de mortes, e que em África apenas 10% das mortes foram registradas.

“Apenas 40% dos países do mundo registram pelo menos 90% das mortes, o que significa que um número significativo de países não consegue notificar as mortes ou suas causas”, disse Samira Asma.

Os fatores para o que os especialistas chamam de “excesso de mortalidade” ou “excesso de mortes” tem diferentes razões. A primeira é que certos países demoram para registrar as mortes e também que muitas pessoas infectadas morrem sem ter o diagnóstico de Covid-19.

Há também casos em que pessoas morrem por outras doenças tratáveis, por medo de ir ao hospital e se contaminarem.

"A sobremortalidade nos dá uma imagem melhor, pois é responsável por esses efeitos diretos e indiretos", explicou William Msemburi, analista do departamento de dados da OMS.

Esses novos dados revelam que"a pandemia de covid-19 constitui uma grande ameaça à saúde e ao bem-estar das populações em todo o mundo", enfatizou Samira Asma.