'Nunca' houve acordo para entregar fundos bloqueados a Maduro, diz oposição

A oposição venezuelana disse, nesta sexta-feira (20), que os 3 bilhões de dólares acordados na última rodada de negociações com o chavismo no México serão liberados "progressivamente" e depois da constituição do fundo com o qual a ONU administrará os recursos.

Gerardo Blyde, chefe da delegação da opositora Plataforma Unitária, assinalou que o chamado acordo social, firmado entre as partes em novembro, não inclui a liberação deste dinheiro "de uma só vez", como exigiu esta semana o líder chavista Jorge Rodríguez.

"As partes identificaram um conjunto de recursos pertencente ao Estado venezuelano, congelado no sistema financeiro internacional, ao qual é possível ter acesso progressivamente, entendendo a necessidade de obter as autorizações e aprovações que competem a instituições e organizações estrangeiras", leu Blyde no documento firmado.

"Nunca houve qualquer sinal de que esses fundos seriam transferidos de uma vez só. Não há qualquer menção no acordo firmado que [o dinheiro] seria depositado em qualquer conta do governo de [Nicolás] Maduro", acrescentou, durante uma entrevista coletiva em Caracas.

Na terça-feira, Rodríguez, que preside o Parlamento, condicionou a continuidade do diálogo à "devolução" do dinheiro "roubado". O próprio presidente Maduro havia antecipado na semana passada que esperava "esse depósito para seguir com as conversas".

Blyde insistiu que o acordo não contempla prazos para reunir os recursos. "É algo absolutamente complexo", comentou. "Estamos falando de Portugal, Reino Unido, França, Japão, Estados Unidos, ou seja, um conjunto de jurisdições onde existem estágios", acrescentou.

O trabalho também passa pela abertura do fundo fiduciário, através do qual as Nações Unidas canalizarão os recursos. "Não serão gerenciados pela Plataforma Unitária, nem pelo regime Maduro", reiterou o opositor.

Os diálogos no México foram retomados em novembro, depois de 15 meses de suspensão com a extradição aos Estados Unidos do empresário Alex Saab, acusado de lavagem de dinheiro e apontado como "laranja" de Maduro.

Este acordo social, com os 3 bilhões de dólares, antecede uma negociação mais complexa, que deveria tratar de temas políticos com vistas às eleições presidenciais previstas para 2024.

A oposição exige condições eleitorais e a suspensão da perda de direitos políticos de possíveis candidatos, enquanto o chavismo quer o fim das sanções.

"Temos muito trabalho pela frente", assinalou Blyde. "É preciso deixar as disputas de lado, arregaçar as mangas e começar a trabalhar", frisou.

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