'Nunca tivemos ajuda de ninguém', diz viúva de catador de recicláveis também morto por militares ao tentar ajudar músico

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RIO — Relembrar o dia 6 de abril de 2019 também traz à tona o futuro interrompido de Dayana Horrara ver a filha Ayla Vitoria ao lado do pai, o catador de material reciclável Luciano Macedo, morto na mesma ação que vitimou o músico Evaldo dos Santos Rosa. Nesta quarta, durante o julgamento dos 12 militares acusados da morte do artista, as imagens do momento feitas durante os disparos trouxeram emoções e questionamentos de volta.

Dayana Horrara, viúva de Luciano, foi ao julgamento acompanhada de Ayla Vitória, hoje com dois anos, que na época estava na barriga da mãe. Agora trabalhando vendendo doce, ela conta que nunca teve ajuda de ninguém.

Durante a exibição do vídeo feito no momento dos disparos, ela também se emocionou e foi reconfortada por Luciana, viúva de Evaldo.

— Só queria saber como eles passaram Natal e réveillon. É muito triste ir ao parque e ver as crianças com os pais do lado. Hoje aqui no julgamento foi a primeira vez que vi o vídeo. Nunca tivemos ajuda de ninguém — contou muito emocionada.

Luciano Macedo foi baleado no mesmo ataque e morreu 11 dias depois. Em versões apresentadas por militares, os agentes alegam que o catador atirou contra a patrulha que estava na região, em Guadalupe, Zona Norte do Rio. Segundo os militares, Luciano estaria assaltando o carro onde Evaldo e a família estavam.

No dia do crime, a polícia não encontrou qualquer arma com o catador. Testemunhas dizem que Luciano foi baleado quando tentava socorrer Evaldo. O veículo onde o artista estava foi alvo de mais de 80 tiros por parte dos militares. Destes, 62 atingiram o veículo e outros 20 foram na direção do catador, que tentava socorrer Evaldo e seu sogro Sérgio, que permaneciam no veículo. Evaldo morreu no local após ser alvejado com nove tiros de fuzil. Já Luciano morreu no hospital 11 dias depois da ação.

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